- Em Naírobi, a peça autobiográfica Free Me retrata violência doméstica e ganhou reestreia, evidenciando GBV no país.
- Centenas de mulheres foram às ruas, exigindo que o governo declare GBV uma crise nacional frente ao aumento de femicídios e abusos.
- Em janeiro de 2025, após marchas em 2024, o governo criou um grupo de trabalho para identificar tendências e causas da GBV e femicídio.
- O relatório recomenda, entre outras medidas, alterar a legislação para definir femicídio como crime distinto de homicídio e declarar GBV como crise nacional.
- A peça, baseada na vida de Gathoni Kimuyu, busca incentivar vítimas a falar sobre o tema e promover responsabilidade dos agressores.
Free Me, peça autobiográfica de Gathoni Kimuyu, abre o debate sobre a violência de gênero no Quênia. A encenação, estreada em novembro e revisitada neste mês, ocorre em Nairóbi. O objetivo é incentivar vítimas a falar e cobrar ação do governo diante do aumento da GBV.
Na peça, cenas de agressão entre cônjuges são mostradas em tom realista, mostrando impactos físicos e emocionais. A produção utiliza diferentes atores para representar a vida da autora desde a adolescência até a fase adulta, destacando ciclos de abuso e superação.
Contexto de GBV no país
O retorno de Free Me coincide com protestos de centenas de mulheres em Nairobi. Demandam que o governo declare GBV uma crise nacional e adotem medidas urgentes para reduzir femicídio e abusos.
Ações do governo e desdobramentos
Em janeiro de 2025, após marchas e campanhas online, o governo criou um grupo técnico para mapear tendências, áreas de maior incidência e causas de GBV. O relatório recomenda mudanças legais e o reconhecimento formal do femicídio como crime distinto.
Kimuyu, conhecida pelo público como Queen Gathoni, afirma que a crescente violência contra mulheres ocorre em intensificação. A autora também dirige e coordena a divulgação da peça para ampliar o debate público e promover mudanças.
O elenco inclui Renee Gichuki, que representa a adolescente de 16 anos, e Tobit Tom, que vive o papel do marido violento. A encenação busca humanizar as vítimas e mostrar que o agressor pode ser alguém próximo.
A diretora e co-escritora Mugambi Nthiga ressalta que o espetáculo é baseado em uma história verdadeira e busca estimular a divulgação de relatos de violência. A atriz Renee Gichuki destaca a importância do público reconhecer a gravidade do tema.
Entre o público, várias espectadoras relatam que a apresentação oferece uma visão clara de como a violência ocorre e quem pode estar envolvido. A peça enfatiza a importância de denunciar e buscar apoio.
Kimuyu afirma ter optado por relatar sua própria experiência para facilitar a conexão do público com a história. A dramaturga destaca que ver alguém sobreviver inspira confiança de que a mudança é possível.
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