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Fracasso na proteção de médicos em guerras é tema de relatório

Décimo aniversário da Resolução 2286 expõe impunidade e ataques à assistência médica em conflitos

Un hombre contemplaba el día 18 los destrozos causados por un bombardeo israelí contra el hospital Jabal Amel, en Tiro (Líbano).
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  • MSF confirmou, a partir de sua investigação, o assassinato intencional de três colegas em Tigray Central, Etiopía, em 24 de junho de 2021, com presença de forças etíopes no momento do ataque.
  • Um ano após a publicação e cinco anos após os fatos, não há respostas credíveis dadas pela República Democrática Federal da Etiopía; defesa de que não houve vontade política para finalizar a investigação.
  • Em 10 anos desde a resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas, a situação mostra falha na proteção humanitária: em 2025 foram registradas 1.348 ataques a instalações médicas, causando 1.981 mortes de médicos, humanitários e pacientes.
  • Nos últimos dez anos, MSF documentou pelo menos 255 incidentes que atingiram serviços e pessoal, com 81% dos ataques a instalações médicas em 2025 realizados por exércitos regulares sob responsabilidade de Estados.
  • A entidade cobra ação internacional mais firme, com investigações rápidas e independentes, preservação de provas e responsabilização de culpados, incluindo participação do Conselho de Segurança das Nações Unidas para assegurar o cumprimento do direito internacional humanitário.

O Comitê de Médicos Sem Fronteiras (MSF) relembra o assassinato de três de seus colegas em Tigray Central, Etiópia, ocorrido em 24 de junho de 2021. Maria Hernández Matas, Tedros Gebremariam Gebremichael e Yohannes Halefom Reda foram mortos em um ataque deliberado, segundo investigação da organização publicada há um ano. Um comboio das Forças Nacionales de Defesa de Etiopía também esteve no local.

A pesquisa de MSF confirmou que o ataque não foi fogo cruzado nem erro trágico, mas uma ação intencional contra trabalhadores humanitários identificados. Os profissionais atuavam para prestar assistência médica a feridos na estrada onde ocorreu a execução. Até hoje, não houve respostas credíveis ou explicações públicas da República Democrática Federal de Etiopía.

O caso é citado como símbolo de falhas persistentes na proteção de assistência médica em conflitos. Em 2025, a ONU celebra dez anos desde a adoção da resolução 2286, destinada a blindar estruturas de saúde durante guerras. Mesmo assim, ataques a instalações médicas continuam, com altos índices de impunidade.

Ao longo da última década, MSF registrou pelo menos 255 incidentes envolvendo serviços médicos e equipes humanitárias. Em 2025, 81% dos ataques a hospitais ocorreram por forças estatais regulares. O uso de drones e inteligência artificial tem aumentado o risco para civis e profissionais de saúde.

O direito internacional humanitário estabelece proteção a hospitais e serviços médicos, com exceções estritamente limitadas. Observa-se, no entanto, uma tendência de banalização dos incidentes, em que a responsabilidade recai sobre a vítima ou o hospital atacado, não sobre o aggressor.

Atingidos pela violência, médicos nacionais respondem por grande parte das perdas, representando cerca de 95% das mortes entre profissionais de saúde em conflitos. A impunidade, segundo a organização, alimenta a recorrência de ataques e a falta de responsabilização.

MSF pede ação internacional firme pela segurança de pacientes e equipes humanitárias, bem como mecanismos de responsabilização independentes. A organização solicita investigações rápidas, preservação de provas, divulgação de resultados e nomeação de responsáveis, sem depender do consentimento das partes envolvidas.

A entidade ressalta que o Conselho de Segurança das Nações Unidas precisa atuar com urgência para assegurar o respeito ao direito internacional humanitário. As medidas devem visar evitar novas violações e melhorar a proteção de quem presta socorro em zonas de conflito.

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