- A maior revisão sobre tratamentos adicionais da fertilização in vitro conclui que a maioria não aumenta as chances de sucesso nem tem evidência confiável.
- Estima-se que mais de setenta por cento dos pacientes no Reino Unido, na Austrália e na Nova Zelândia paguem por um ou mais add-ons durante o tratamento.
- Sete add-ons avaliados mostraram, na maioria das análises, efeito zero ou resultados inconclusivos: acupuntura; corticosteroides; teste de receptividade do endométrio; infusão de intralipídios; injeção intraovariana de plasma rico em plaquetas; infusão intrauterina de plasma rico em plaquetas; rastreio genético pré-implantação para euploidia.
- Três add-ons apresentaram evidência fraca de benefício: EmbryoGlue; arranhão endometrial; PICSI (técnica de seleção de espermatozoides).
- Especialistas alertam para desinformação generalizada e pedem que clínicas privadas avaliem com cuidado a oferta de add-ons sem comprovação, pois podem gerar falsas expectativas e custos adicionais.
Do que se trata: a maior revisão sobre os chamados “add-ons” da fertilização in vitro (IVF) aponta que a maioria desses procedimentos oferecidos junto ao tratamento padrão não tem evidência confiável de benefício ou permanece inconclusiva. O estudo analisou 85 ensaios de alta qualidade.
A pesquisa, publicada na Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health, avaliou 10 add-ons comuns usados em IVF. Dos 157 ensaios inicialmente elegíveis, 72 foram descartados por questões de confiabilidade, restando 85 para síntese dos dados.
Entre os add-ons avaliados, sete mostraram efeito nulo ou resultados inconclusivos devido dados limitados ou de baixa qualidade. Entre eles estão acupuntura, corticosteroides, testes de receptividade endometrial, infusão de intralipídio, injeção intraovárica de plasma rico em plaquetas, infusão intrauterina de plasma rico em plaquetas e triagem pré-implantação de aneuploidia.
Três add-ons apresentaram evidência fraca de possível benefício: EmbryoGlue (meio de transferência de embriões), arranhamento endometrial e PICSI (selecão de espermatozoides por ligação com ácido hialurônico). Contudo, mesmo nesses casos, o impacto sobre nascimentos vivos não é robusto.
A equipe liderada por pesquisadores da Univ. de Melbourne frisa que muitos pacientes recorrem a add-ons por expectativa de melhora, sobretudo em clínicas privadas onde a IVF é altamente comercializada. O estudo alerta para risco de falsas esperanças e custos adicionais.
Além disso, a revisão destaca preocupações sobre a qualidade de pesquisas na medicina reprodutiva, incluindo ensaios randomizados com qualidade questionável. O objetivo foi oferecer uma visão abrangente sobre eficácia e segurança, com foco nas evidências disponíveis.
Pontos-chave para pacientes e profissionais: a maioria dos add-ons não oferece benefício comprovado e pode trazer custos elevados e procedimentos desnecessários. A recomendação é que clínicas avaliem cuidadosamente a oferta de add-ons não comprovados, dada a percepção de benefício por parte dos pacientes.
Para entender o panorama, o estudo envolveu uma análise sistemática de dados de ensaios clínicos de alta qualidade, com exclusão de estudos duvidosos. Os resultados reforçam a necessidade de comunicação clara sobre custos, riscos e evidências entre clínicas e pacientes.
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