- A Zoladex (goserelina 3,6 mg) será retirada do PBS e do mercado privado na Austrália a partir de novembro, deixando muitas pacientes sem tratamento.
- Pacientes atuais poderão ter acesso ao medicamento por mais seis meses, após a remoção.
- A droga é usada para câncer de mama hormônio‑positivo e para endometriose, aliviando dor e controlando doenças ao reduzir a produção de estrogênio.
- A decisão é atribuída a razões comerciais, com foco na versão de dose mais alta de 10,8 mg destinada a câncer de próstata, que não está disponível pelo PBS para câncer de mama ou endometriose.
- O Departamento de Saúde e a AstraZeneca disseram trabalhar para mitigar impactos, buscando opções para quem não tiver terapias alternativas listadas pelo PBS.
O medicamento Zoladex, usado no tratamento de câncer de mama e de endometriose, será retirado da lista de medicamentos cobertos no PBS e também do mercado privado na Austrália a partir de novembro de 2026. A retirada afeta pacientes que hoje dependem desse tratamento para controlar a doença e reduzir sintomas, com alguns pacientes ainda recebendo o remédio por até seis meses após o anúncio.
A farmacêutica AstraZeneca informou que o desliste não deixará de atender pacientes já em tratamento, que poderão continuar tendo acesso gratuito por um período adicional. Especialistas e organizações de pacientes destacam que a saída do PBS pode deixar milhares de mulheres sem opções eficientes de tratamento, com impactos diretos na qualidade de vida.
A decisão ocorre em meio a mudanças políticas e negociações de preços internacionais, segundo especialistas ouvidos pelo jornal. A promessa da empresa é manter a continuidade do cuidado para pacientes elegíveis, mesmo após o fim da disponibilidade regular do Zoladex.
O que é Zoladex?
O Zoladex é um implante de 3,6 mg de gosserelina, fabricado pela AstraZeneca, que suprime a produção de estrogênio pelos ovários. Também é usado para preservação de fertilidade em pacientes que recebem quimioterapia e para reduzir o risco de recorrência de câncer de mama hormono-sensível.
Em mulheres com endometriose, o medicamento alivia a dor e pode ser utilizado antes de cirurgias ou tratamentos de fertilidade. O implante é inserido na pele mensalmente.
Estimativas apontam que cerca de 7 mil mulheres no país utilizam o Zoladex anualmente para câncer de mama, com quase 94 mil prescrições registradas nos últimos 18 meses. Profissionais destacam sua importância para o controle da doença e da dor.
Impactos para pacientes atuais
A AstraZeneca solicitou à TGA a inclusão de uma formulação com dose mais alta (10,8 mg), destinada a uso trimestral, para que possa ser listada no PBS no futuro. Enquanto isso, pacientes dependentes da dose de 3,6 mg poderão enfrentar opções limitadas sem a cobertura oficial.
A empresa afirma que manter a continuidade do cuidado é essencial e que, se a nova dose for aprovada, o tratamento poderá permanecer disponível para os pacientes elegíveis sem custo adicional. Profissionais apontam que a dose trimestral não é compatível com todas as situações clínicas, o que pode restringir a eficácia para algumas pacientes.
O Ministério da Saúde afirmou que trabalhará para minimizar o impacto da deslistagem, buscando alternativas para pacientes sem opções PBS. Não há obrigação governamental de manter o produto na lista, mas autoridades dizem que buscam medidas para reduzir prejuízos aos pacientes.
O que vem a seguir
Caso a nova dose seja aprovada, o medicamento poderá retornar à PBS, permitindo acesso contínuo para quem não tiver outra opção terapêutica. Enquanto isso, especialistas destacam a necessidade de transparência sobre os motivos comerciais da decisão.
Pacientes e médicos aguardam esclarecimentos sobre alternativas de manejo da dor e do câncer sem o Zoladex, incluindo considerar outras terapias hormonais, comorbidades e custos diretos. A discussão envolve ainda as implicações de políticas globais de preços de medicamentos.
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