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Pesquisa contesta benefício anti-inflamatório atribuído à creatina

Revisão da Unesp não encontra evidência de efeito anti-inflamatório da creatina, reforçando segurança do suplemento

Fotografia de uma colher com creatina na vista superior da mão feminina, fundo cinza.
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  • Revisão da Unesp analisou oito ensaios clínicos randomizados e não encontrou evidência consistente de que a creatina reduza marcadores inflamatórios no organismo.
  • Embora alguns estudos em atletas submetidos a exercícios intensos tenham mostrado quedas em marcadores como PGE-2, TNF-α e IL-1β, os efeitos não se repetiram em diferentes grupos populacionais.
  • Em pacientes com osteoartrite e em idosos, não houve redução significativa de inflamação, com marcadores como proteína C reativa (PCR) e citocinas permanecendo estáveis.
  • A revisão aponta que as melhorias observadas muitas vezes podem estar relacionadas ao exercício em si, não à suplementação com creatina, e que mecanismos exatos ainda não estão definidos.
  • Mesmo sem evidência de benefício anti-inflamatório, a creatina manteve bom perfil de segurança em usos de curto e longo prazo; pesquisadores recomendam mais estudos randomizados para confirmar os achados.

A creatina, suplemento popular entre praticantes de academia, não mostrou efeito anti-inflamatório consistente em humanos. A conclusão vem de uma revisão sistemática com meta-análise da Unesp, que analisou oito ensaios clínicos randomizados com placebo. Os resultados foram publicados na Frontiers in Immunology, em fevereiro.

Os pesquisadores da Unesp, no Centro de Estudos de Revisão Sistemática na Saúde Cardiovascular e Metabólica em Marília, avaliaram marcadores inflamatórios comuns. A análise aponta que não há evidência robusta de redução relevante nesses biomarcadores com a suplementação de creatina.

Embora parte dos estudos tenha observado reduções de marcadores inflamatórios em contextos de exercício intenso, os efeitos não foram consistentes entre populações e condições clínicas. Dados com atletas que realizaram protocolos de alta dose mostraram quedas em PGE2, TNF-α e IL-1β, porém esses resultados não se repetiram em diferentes grupos.

Para osteoartrite, idosos e outras situações clínicas, as evidências não indicaram quedas significativas em marcadores como PCR ou citocinas. Em muitos casos, melhorias foram associadas ao próprio treino, não à suplementação. Essas diferenças pequenas não alcançaram relevância estatística ou clínica.

Entre os biomarcadores mais avaliados, a PCR teve redução média de 0,41 mg/dL e a IL-6 apresentou queda ainda menor nos grupos que usaram creatina, não sendo considerada significativa. Pesquisadores ressaltam que ausência de evidência não equivale a prova de ausência de efeito.

Valenti ressalta que ainda não é possível descartar o benefício em todos os cenários. O estudo estimula novos ensaios clínicos randomizados, com controle por placebo, para confirmar ou refutar os achados observados até o momento.

Outro ponto destacado é que a inflamação não é sempre prejudicial. Em exercícios, a resposta inflamatória transitória participa do reparo e da adaptação muscular, o que pode justificar efeitos contextuais limitados da suplementação.

Segurança e uso

A revisão aponta perfil de segurança aceitável da creatina em protocolos de curto prazo com doses altas, incluindo atletas submetidos a exercícios intensos. Não houve relatos relevantes de cãibras, desidratação ou desconfortos gastrointestinais, nem alterações metabólicas relevantes em estudos com pacientes ou idosos.

Em termos práticos, a creatina continua considerada segura para a maioria, com possíveis ganhos de força e desempenho. A recomendação é buscar orientação profissional antes de iniciar o uso, pois necessidades variam entre indivíduos.

A pesquisa enfatiza a necessidade de mais estudos para esclarecer condições sob as quais a creatina possa influenciar a inflamação, reforçando a importância de métodos robustos e amostras amplas.

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