- A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 entrou em vigor na terça-feira, 26, ampliando a identificação e prevenção de riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.
- A norma passa a tratar explicitamente fatores que podem levar ao adoecimento mental, como metas abusivas, jornadas exaustivas, assédio e falhas na organização do trabalho.
- Pesquisas indicam preparo ainda baixo: 57,8% das empresas não possuem Programa de Gerenciamento de Riscos com análise de riscos psicossociais; 42,2% afirmam ter o PGR elaborado e em funcionamento.
- Dados de diferentes levantamentos mostram variações de preparação: Pandapé aponta 27,3% totalmente adequadas, 49,8% parcialmente preparadas e 17% ainda não iniciaram; Swile aponta 58,9% dizendo estar totalmente preparadas.
- Nos 90 dias pós-entrada em vigor, a Inspeção do Trabalho priorizará orientação, instrução e notificação para adequação. Após esse período, empresas em descumprimento podem ser autuadas.
Desde a última terça-feira (26), entrou em vigor a atualização da NR-1, que inclui riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). A mudança amplia a responsabilidade das empresas na saúde mental no trabalho.
Especialistas afirmam que a adaptação ocorre de forma lenta e com entraves estruturais. A resistência cultural, o despreparo técnico e a pouca prioridade ao tema aparecem como principais obstáculos.
A pesquisa Mapa do RH & DP 2026 indica que 57,8% das empresas ainda não possuem PGR com análise de riscos psicossociais. Em contraste, 42,2% já declararam o PGR elaborado e em funcionamento.
Outro levantamento, do Pandapé, aponta que apenas 27,3% das empresas se declaram totalmente preparadas para a NR-1, enquanto 49,8% estão parcialmente prontas e 17% ainda não iniciaram a adaptação.
O Anuário de Benefícios e Práticas Corporativas 2026 mostra 58,9% das empresas alegando estar totalmente preparadas, porém apenas 11,7% monitoram horas extras, 23,9% avaliam o clima organizacional de forma estruturada e 44,9% analisam rotatividade.
Frequentes, as avaliações apontam que grande parte das organizações não prioriza a saúde mental nas políticas de gestão. Auditores e especialistas destacam risco de desatualização técnica e barreiras culturais que persistem no dia a dia das empresas.
Segundo a visão de especialistas ouvidos pelo g1, a maior parte das organizações não está plenamente preparada para a atualização da NR-1. Afirmam que o problema vai além de questões técnicas, envolvendo estrutura, cultura e priorização.
Para algumas autoridades, a existência de uma obrigação de gestão de riscos ocupacionais desde 2022 não foi suficientemente incorporada pela prática empresarial, ainda que haja interesse em capacitar equipes.
Em relação ao mercado de soluções, cresce a oferta de pacotes padronizados de conformidade com a NR-1. Profissionais alertam que muitos produtos não têm embasamento científico e não promovem mudanças efetivas na organização do trabalho.
Especialistas lembram que a NR-1 não exige contratação de psicólogos nem programas isolados de bem-estar; medidas complementares podem ajudar, mas não substituem a obrigação de gestão de riscos psicossociais.
O governo manteve o prazo de adaptação e rejeitou novos adiamentos, destacando que a fiscalização tende a combinar orientação com eventual aplicação de medidas administrativas. O período inicial foca em orientação para conformidade.
Nos primeiros 90 dias, a Inspeção do Trabalho atuará prioritariamente em orientar, instruir e notificar empresas sobre as novas exigências, com atuação pedagógica e preventiva. Futuras infrações poderão levar a autuações.
Especialistas citam a importância da atuação conjunta entre trabalhadores e empregadores para reduzir danos. Estudos internacionais apontam altos impactos de riscos psicossociais na saúde, com mortes atribuídas a fatores ocupacionais.
Dados recentes indicam recorde de afastamentos por saúde mental no Brasil em 2025, superando marcas anteriores e sinalizando a relevância de efetivas medidas de gestão do trabalho para o bem-estar dos trabalhadores.
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