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Pastagens mais verdes atraem trabalhadores chineses presos ao 996

Anúncio viral busca dois pastores para 3.000 ovelhas em 2.000 hectares; salário de 8.000 yuan mensais com moradia, destacando tensões no mercado de trabalho chinês

Featuring a video of sheep frolicking in green pastures, the simple advert drew a huge response on social media when it was posted, garnering around 59m views on Weibo.
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  • Zuo Xiaoyong divulgou vaga para dois pastores cuidarem de três mil ovelhas em um pasto de dois mil hectares na região da Mongólia Interior, com trabalho no verão e tarefas de alimentação e limpeza no inverno, quando as temperaturas podem chegar a menos de treze graus abaixo de zero.
  • O salário é de oito mil yuan por mês, com moradia e alimentação incluídas, valor acima da média urban de trabalhadores de empresas privadas da China.
  • Mais de setecentas candidaturas foram recebidas, entre recém-formados, trabalhadores de fábrica e profissionais de escritórios em busca de mudanças.
  • O anúncio viralizou, com vídeo de ovelas pastando; o post teve aproximadamente cinquenta e nove milhões de visualizações no Weibo.
  • No fim, Zuo contratou quatro pastores — dois casais — e planeja uma lista de mais de quarenta casais para vagas futuras, não aceitando pessoas solteiras ou jovens urbanos.

O proprietário rural de Inner Mongolia teve sucesso com o anúncio de vaga para pastoreio de 3 mil ovelhas. O anúncio viralizou na internet chinesa, chamando a atenção de pessoas de cidades com dificuldade de encontrar trabalho.

Zuo Xiaoyong procurava dois pastores, de preferência um casal, para levar o rebanho para pasto durante o verão em uma área de 2 mil hectares e cuidar da alimentação interna e da limpeza no inverno, quando as temperaturas podem chegar a quase -30°C.

A oferta previa salário de 8 mil yuan por mês para cada contratado, com moradia e alimentação fornecidas. O valor supera a média nacional de empregos em empresas privadas, que fica em torno de 6 mil yuan.

O post com imagens de ovelas em pastagens claras ganhou grande alcance, somando cerca de 59 milhões de visualizações no Weibo. Zuo informou à Reuters que recebeu mais de 700 candidaturas para as duas vagas.

Entre os interessados estavam recém-formados, trabalhadores de fábrica e profissionais de escritório insatisfeitos com o ritmo de trabalho nas megacidades. Anônimas histórias de exaustão influenciaram o interesse pelo cargo.

A cultura de longas jornadas, conhecida como 996, é tema recorrente de insatisfação entre trabalhadores de diferentes setores na China. Pesquisas oficiais indicam taxa de desemprego de 5,2% no total e 16,9% entre jovens de 16 a 24 anos, sem estudantes, divulgadas em março.

Entre quem se candidatou, um jovem de 21 anos, trabalhador de fábrica, relatou que o dia a dia atual envolve mais de 13 horas de trabalho contínuo, com esforço físico intenso e sem tempo para pausas. A experiência descreve grande desgaste.

Ao final, Zuo contratou quatro pastores, dois casais que já tinham experiência rural. O proprietário mantém uma lista com mais de 40 casais para futuras oportunidades, e afirma que não pretende considerar candidatos solteiros ou moradores urbanos sem ligação ao campo.

A experiência sinaliza interesse crescente de trabalhadores urbanos por opções de vida mais estáveis no campo, ao menos em parte, diante de um mercado de trabalho desafiador. O caso fica como exemplo de adaptações e mudanças nas escolhas profissionais no país.

*Com Reuters*

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