- Estudo sobre a capacidade máxima de elevadores no Reino Unido e na Europa (1972–2004) mostra que os limites não acompanharam o aumento da obesidade, levantando questões de segurança e equidade.
- A pesquisa analisou 112 elevadores fabricados entre 1972 e 2024, em Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha, Áustria e Finlândia, apresentada no Congresso Europeu de Obesidade em Istambul.
- Entre os anos 1970 e hoje, o peso médio dos adultos aumentou (homem britânico de 75 kg para 86 kg; mulher de 65 kg para 73 kg), mas os limites de peso por elevador não cresceram desde cerca de 2004.
- Os fabricantes, em geral, mantiveram a média de 75 kg por pessoa, enquanto o limite total por elevador subiu de cerca de 62 kg por pessoa (1972) para 75 kg (2002).
- Pesquisador destaca riscos de segurança e de estigma para pessoas com obesidade; especialistas ressaltam a necessidade de redesenhar espaços públicos para serem mais inclusivos.
A espetacular subida dos índices de obesidade no Reino Unido não foi acompanhada pelo aumento da capacidade de elevadores. Um estudo apresentado no Congresso Europeu de Obesidade, em Istambul, analisou 112 elevadores fabricados entre 1972 e 2024 na 7 países europeus, incluindo o Reino Unido, para avaliar limites de peso e segurança.
A pesquisa confrontou o peso máximo permitido pelos elevadores com o peso médio dos adultos na época de fabricação. Os investigadores usaram fotos dos limites de peso e compararam com dados populacionais de cada ano.
Conduzido por Prof. Nick Finer, presidente da International Prader-Willi Syndrome Organisation, o estudo aponta que, mesmo com o aumento dos pesos médios, a capacidade total dos elevadores não teve aumento relevante desde 2004. Em 1970s, homens britânicos pesavam 75 kg e mulheres 65 kg; hoje pesam 86 kg e 73 kg, respectivamente.
Metodologia e principais achados
Os limites máximos por elevador subiram de cerca de 62 kg por pessoa em 1972 para 75 kg em 2002, acompanhando, em parte, o crescimento da massa corporal média. Contudo, a indústria manteve a referência de 75 kg como peso médio, ficando 4 kg abaixo da média atual.
Segundo os pesquisadores, houve uma mudança de foco dos fabricantes, que passaram a considerar o espaço ocupado no piso em vez do peso. A suposição de que o peso médio permanece estável pode dificultar o acesso de pessoas com obesidade.
Essa discrepância pode causar falhas de projeto e reduzir a capacidade de transportar passageiros com velocidade adequada. Além disso, o estudo ressalta o impacto da limitação de espaço na dignidade e na inclusão social.
Reações e impactos
Especialistas analisados pela pesquisa apontam que espaços públicos devem acompanhar as mudanças corporais da população. A presidente da British Obesity Society, Jane DeVille-Almond, afirma que é preciso adaptar instalações para o século XXI. *Segundo* a nutricionista Louise Payne, ambientes públicos nem sempre atendem corpos maiores, afetando dignidade e acessibilidade.
As conclusões sugerem necessidade de revisão de padrões de projeto de elevadores para evitar exclusão social e riscos de segurança aumentados em situações de peso acima do previsto.
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