- A condição antes conhecida como SOP foi renomeada para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), decisão promovida por 56 organizações globais e publicada na Lancet, anunciada no Congresso Europeu de Endocrinologia em 12 de maio.
- O processo levou catorze anos e haverá um período de transição; o nome antigo deve ser trocado definitivamente em dois mil e vinte e oito.
- O novo rótulo reconhece que a síndrome vai além dos ovários, incluindo desequilíbrios hormonais e impactos metabólicos, como resistência à insulina em cerca de 85% das pacientes.
- A SOMP não se resume a cistos ovarianos; os médicos passaram a enfatizar que a condição é multifatorial e envolve múltiplos eixos hormonais.
- A doença afeta aproximadamente 170 milhões de mulheres no mundo, apresentando sinais como ciclos menstruais irregulares, dificuldade para engravidar, acne e excesso de pelos, com a obesidade sendo comum, mas não obrigatória.
A comunidade médica global renomeou a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), alterando o nome para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). A decisão envolve 56 organizações de médicos, cientistas e pacientes ao redor do mundo e foi anunciada no Congresso Europeu de Endocrinologia, em 12 de maio, com divulgação na revista The Lancet. O processo durou 14 anos.
A mudança reconhece que a SOP não se resume apenas aos ovários. A SOMP descreve um desequilíbrio hormonal com impactos metabólicos, especialmente na resistência à insulina, que aumenta o risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Um novo marco que orienta diagnóstico e tratamento de forma mais holística. Estima-se que cerca de 170 milhões de mulheres vivam com a condição.
O que levou à renomeação
A circulação de informações indica que o termo antigo é inadequado por dois motivos centrais: nem sempre há cistos nos ovários, e nem todas as pacientes apresentam esses cistos. Além disso, a nomenclatura gerava confusão entre profissionais e pacientes, dificultando o reconhecimento de sinais fora do eixo ovariano.
A SOMP passa a enfatizar os aspectos metabólicos e hormonais, abrangendo vários eixos além do sistema reprodutivo. A resistência à insulina aparece em aproximadamente 85% das pacientes, elevando o risco de diabetes tipo 2, e outros desequilíbrios hormonais aumentam também o risco cardiovascular. Com isso, a percepção sobre a doença tende a se ampliar para além da reprodução.
Como a mudança impacta o diagnóstico
Por ainda apresentarem variações entre pacientes, as manifestações vão desde ciclos menstruais irregulares até dificuldades para engravidar. Acne e pelos excessivos são sinais associados ao aumento de androgênios. A obesidade não é critério, pois a condição pode ocorrer em pessoas magras, mas costuma intensificar os efeitos.
O novo nome também busca evitar estigmas culturais ligados ao termo “reprodutiva”. Pesquisadores destacam que a terminologia deve facilitar a comunicação entre médicos e pacientes e reduzir ambiguidades diagnósticas. A adaptação ao novo rótulo ocorrerá gradualmente, com implementação definida para 2028.
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