- Em Inglaterra, pessoas de origem negra têm o dobro de chances de ter derrame em comparação com pessoas brancas, segundo o maior estudo já feito sobre o tema.
- No grupo analisado, a incidência de derrames entre afrodescendentes africanos foi 131% maior e entre afrodescendentes caribenhos 100% maior que entre brancos.
- O estudo, com 30 anos de dados do South London Stroke Register, envolve uma população de 333 mil pessoas e registra 7.726 derrames.
- Entre 1995-1999 e 2010-2014 houve queda de 34% na incidência, mas houve alta de 13% entre 2020 e 2024.
- Pessoas de origens negras também têm menos acesso a acompanhamento pós-derrame no NHS, com chance 34% menor de receber follow-up, além de, em média, sofrer o derrame 10 a 12 anos mais cedo que os brancos.
O estudo aponta que pessoas negras na Inglaterra têm o dobro de probabilidade de sofrer AVC em comparação com pessoas brancas, e também recebem cuidado menos oportuno. A base envolve 333 mil habitantes com 7.726 casos de AVC.
Pesquisadores de King’s College London apresentaram as descobertas na conferência da European Stroke Organisation. O registro utilizado é o South London Stroke Register, que acompanha todos os casos em uma área definida.
A análise mostra queda de incidence entre 1995-1999 e 2010-2014, de 34%, mas a taxa subiu 13% entre 2020 e 2024.
Disparidades de risco e acompanhamento
Entre os negros africanos, a incidência foi 131% maior; entre negros caribenhos, 100% maior, frente a brancos. Pessoas negras têm maior probabilidade de hipertensão e diabetes, mesmo após ajustar fatores.
O estudo indica ainda que sobreviventes negros africanos receberam follow-up pós- AVC 34% menos provável, com AVC ocorrendo cerca de 10 a 12 anos mais cedo do que em brancos. O período pós-AVC é crítico para evitar novos eventos.
Segundo a pesquisadora Camila Pantoja-Ruiz, o impacto da pandemia de Covid-19 pode ter reduzido o acesso a cuidados primários e monitoramento de pressão arterial, afetando comunidades negras e desfavorecidas.
Maeva May, da Stroke Association, afirma que as conclusões mostram aumento de frequesência de fatores de risco não detectados ou subtratados, como hipertensão e diabetes, e destacam a necessidade de políticas públicas mais eficazes para equalizar o atendimento.
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