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Bactérias suprimem defesas imunes em infecções de feridas persistentes

Enterococcus faecalis libera ácido lático, acidifica o ambiente e silencia a ativação de macrophagens, favorecendo feridas persistentes e infecções polimicrobianas

Experiments found that wounds infected with E. faecalis (seen here) had dampened immunity, allowing E. faecalis to persist and enabling co-infecting bacteria like E. coli to thrive. A mouse model allowed researchers to study how lactic‑acid‑driven immune suppression promotes persistent, polymicrobial infections.
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  • Estudo mostra que Enterococcus faecalis libera ácido lático para acidificar o ambiente da ferida e silenciar a sinalização imune.
  • Esse mecanismo reduz a ativação de macrófagos e bloqueia o “alarme” imune NF‑κB, dificultando a resposta a infecções.
  • Em modelo com camundongos, cepas que não produzem ácido lático foram eliminadas mais rápido e as feridas tiveram resposta imune mais robusta.
  • Feridas crônicas, como úlceras diabéticas e infecções pós‑operatórias, costumam abrigar várias espécies bacterianas e são difíceis de tratar.
  • Pesquisadores apontam caminhos terapêuticos para reativar a defesa imune, como reduzir a acidez local ou bloquear os sinais do ácido lático, visando melhorar a recuperação.

O estudo mostra que uma bactéria comum pode suprimir as defesas do corpo em feridas persistentes, levando a infecções que duram mais e favorecem a presença de outras bactérias. Enterococcus faecalis (E. faecalis) é o foco, capaz de sobreviver em tecidos, alterar o ambiente da ferida e enfraquecer sinais imunes no local da lesão. Esse impulso facilita infecções polimicrobianas de difícil tratamento.

A pesquisa, liderada pelo SMART AMR do Singapore-MIT Alliance for Research and Technology, com colaboração da NTU Singapore, MIT e a Universidade de Genebra, descreve um mecanismo específico: a bactéria libera ácido lático que acidifica o entorno e amortece a ativação de macrófagos, células imunes responsáveis pela resposta inicial à infecção.

Descoberta principal

O ácido lático entra nos macrófagos por meio do transportador MCT-1 e também se liga ao receptor GPR81 na superfície celular. Ao acionar essas vias, a bactéria silencia sinais imunes vitais e bloqueia a ativação inflamatória dos macrófagos, permitindo a permanência de E. faecalis na ferida.

O estudo utilizou modelo de ferida em camundongos. Cepas de E. faecalis incapazes de produzir ácido lático foram eliminadas com maior rapidez, com maior atividade imune observada nas feridas. Quando a infecção era de E. faecalis associada a Escherichia coli, a resposta enfraquecida também favoreceu o crescimento de E. coli.

A equipe analisa o impacto da imunossupressão induzida pelo ácido lático como causa raiz de feridas crônicas. Uma explicação é a dificuldade de feridas com infecção mista em cicatrizar, mesmo com tratamento.

Potenciais impactos e próximos passos

Segundo os autores, entender como a acidificação reconfigura a sinalização imune abre caminho para tratamentos que reativem a resposta imune local, em vez de depender apenas de antibióticos. Pesquisas futuras devem validar o mecanismo em outras doenças e amostras humanas, além de modelos pré-clínicos avançados.

O estudo foi parcialmente financiado pela National Research Foundation Singapore, por meio do Campus for Research Excellence and Technological Enterprise. As instituições participantes destacam a relevância de intervenções que老enzie a resposta imune para melhorar o manejo de infecções de feridas crônicas.

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