- MIT desenvolve o atenuador biológico chamado atuador mioneural (MNA), que transforma músculos vivos em motores controlados por computador para restabelecer movimento de órgãos paralisados.
- O sistema reprograma nervos sensoriais para enviar sinais de volta ao cérebro, permitindo controle automático do órgão sem depender da autorização consciente da região cerebral.
- Em ratos, a substituição de nervos motores por sensoriais no músculo aumentou a resistência à fadiga em cerca de 260%.
- O MNA foi capaz de provocar movimento de intestino paralisado e controlar músculos da panturrilha de animais, abrindo caminho para aplicações clínicas em humanos.
- Além do movimento, o MNA transmite sinais sensoriais ao cérebro, com potencial de devolver sensação de fome ou toque e permitir feedback tátil em sistemas de realidade virtual no futuro.
Um estudo aberto do MIT apresenta o primeiro implante vivo que usa nervos reconfigurados para revitalizar órgãos paralisados. O dispositivo, chamado atuador neuromúsculo vivo, transforma músculos existentes em motores controlados por computador que podem restaurar movimentos em órgãos.
Os pesquisadores descrevem uma abordagem biohíbrida que reutiliza tecidos musculares do próprio corpo para evitar materiais externos. O estudo, publicado hoje na Nature Communications, é liderado por Hugh Herr, do MIT Media Lab, com co-liderança de Guillermo Herrera-Arcos e Hyungeun Song.
O objetivo é criar uma interface neural que permita controle automático de órgãos sem depender do cérebro para cada movimento. Sensores nervosos sensíveis conduzem sinais ao sistema computacional, que comanda o músculo de forma autônoma para manter funções como contração intestinal ou movimentos no trato digestivo.
Em experimentos com roedores, a equipe substituiu nervos motores por nervos sensoriais no músculo, que se reconectaram de forma funcional. A inovação permitiu que os nervos sensoriais fornecessem controle ao músculo via um processador, reduzindo a fadiga muscular em até 260% em comparação aos músculos nativos.
O sistema resultante, denominado atuador neuromuscular (MNA), envolve o músculo paralisado em torno de um órgão e restabelece a função de bombeamento ou peristalse. Também foi demonstrada a transmissão de sinais sensoriais ao cérebro, abrindo caminho para feedback perceptivo, como a sensação de fome em um estômago paralisado.
Os autores destacam que a implementação clínica exige testes adicionais em modelos animais maiores e, posteriormente, em humanos. A troca por cirurgia já comum na prática clínica pode tornar o procedimento viável, com potencial de substituir dispositivos mecânicos ou transplantes com material estrangeiro.
Além de restabelecer movimentos, os pesquisadores apontam aplicações de sensorialidade, como potencial de transmitir toque da pele para o cérebro. A equipe afirma ainda que a interface poderia ser integrada a pele graft ou à realidade virtual, ampliando possibilidades de feedback tátil.
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