- Pesquisadores do MIT estão desenvolvendo um dispositivo implantável que contém células produtoras de insulina para controlar o diabetes sem injeções de insulina. O encapsulamento protege as células da rejeição imune e há um gerador de oxigênio a bordo.
- Em estudos em animais, as células encapsuladas permaneceram ativas por pelo menos 90 dias, produzindo insulina suficiente para manter os níveis de açúcar no sangue estáveis.
- O dispositivo é alimentado sem fio por uma antena externa, com melhorias que aumentaram a quantidade de oxigênio enviada às células e a durabilidade do equipamento.
- As células podem vir de doadores ou de células-tronco pluripotentes induzidas; em testes com ambas, houve controle do açúcar no sangue dos animais, embora nem todas as formas revertam a diabetes totalmente.
- Os pesquisadores visam ultrapassar a necessidade de supressão imune e estudar a permanência do dispositivo por períodos ainda maiores, até dois anos, além de explorar a entrega de outras proteínas terapêuticas no corpo.
O MIT desenvolve um dispositivo implantável que contém células produtoras de insulina para controlar a diabetes sem injeções diárias. O conjunto encapsula as células e inclui um gerador de oxigênio a bordo para mantê-las saudáveis. O objetivo é oferecer controle de longo prazo da diabetes tipo 1.
Em estudo recente, as células encapsuladas sobreviveram no corpo por pelo menos 90 dias e permaneceram funcionais, produzindo insulina suficiente para manter o nível de açúcar no sangue estável em animais. O estudo foi conduzido por Daniel Anderson e colegas do MIT.
Os pesquisadores destacam a vantagem de evitar a imunossupressão necessária em transplantes tradicionais de ilhota, que pode ser debilitante para pacientes. O dispositivo é alimentado sem fio por uma antena externa, elevando a prática para potenciais aplicações clínicas futuras.
Dispositivo encapsulante e geração de oxigênio
O protótipo protege as ilhotas pancreáticas da rejeição imune e, ao mesmo tempo, facilita a entrega de oxigênio. O gerador de oxigênio utiliza uma membrana de troca de prótons para dividir água presente no corpo em oxigênio e hidrogênio, com o oxigênio fornecido às células.
Em estudo anterior de 2023, o grupo mostrou que o dispositivo já permitia produção de insulina por até um mês em modelos animais. A nova versão ampliou a durabilidade e a eficiência energética do sistema.
Resultados em modelos animais e próximos passos
Em ratos e camundongos, o dispositivo funciona por 90 dias, com as células doadas gerando insulina suficiente para manter a glicemia estável. Células derivadas de células-tronco pluripotentes induzidas também apresentaram controle parcial da glicemia.
Os autores pretendem estender a duração da função do dispositivo, buscando até dois anos de permanência no organismo. Também estudam aplicar a abordagem para produzir proteínas terapêuticas, como anticorpos ou enzimas, dentro do corpo.
Sobre os pesquisadores e financiamento
Anderson é o autor sênior do estudo publicado na revista Device. Krishnan, ex-perspectiva de MIT e hoje professor na Stanford, e Bochenek, ex-pesquisador de MIT, são autores principais. Langer, da MIT, também atua como coautor.
O projeto conta com financiamentos de Breakthrough TID, Helmsley Charitable Trust, NIH e apoio do Koch Institute. O objetivo é avançar para testes adicionais e avaliação clínica futura.
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