- Estudo em acesso antecipado aponta que a semaglutida, usada em Wegovy e Ozempic, poderia ser fabricada em massa por US$ 3 por dose mensal, no formato injectable.
- Versões em comprimido poderiam ficar em torno de US$ 16 por mês, segundo a análise.
- Patentes centrais da semaglutida devem expirar em dez países neste ano, abrindo espaço para concorrência de genéricos a partir de 21 de março.
- Em 160 países onde as patentes não foram registradas, vivem cerca de 69% das pessoas com diabetes tipo 2 e 84% das pessoas obesas.
- Especialistas destacam que preços baixos não resolvem fatores estruturais da obesidade; políticas públicas e planejamento de compras são ainda necessários para ampliar o acesso.
Semaglutida, o fármaco usado para obesidade (Wegovy) e diabetes (Ozempic), pode custar apenas 3 dólares por mês na versão injetável, segundo nova análise. O estudo sugere produção em massa a esse preço, abrindo acesso a milhões em países de baixa renda conforme patentes expiram.
A pesquisa aponta que 160 países podem ter competição de genéricos, incluindo 10 com expiração de patentes neste ano, como Brasil, China, Índia, África do Sul, Turquia, México e Canadá, a partir de 21 de março. Em outros 150 países, ainda não há patentes registradas.
O tema foi apresentado em preprint, com autoria de pesquisadores da Universidade de Liverpool e da Witwatersrand. Os autores destacam que, apesar do menor custo, a disponibilidade depende de políticas públicas, planejamento de compras e integração aos cuidados de obesidade e diabetes.
Situação atual e custos
Especialistas indicam que a formulação injetável pode render cerca de 3 dólares mensais, enquanto uma versão em pílula poderia ficar em torno de 16 dólares por mês. Os pesquisadores ressaltam que o preço baixo facilita o acesso em países pobres, onde a doença é cada vez mais prevalente.
Entre os apoiadores, Dr Andrew Hill afirma que os preços baixos abrem porta para acesso mundial a um medicamento essencial. Já o professor François Venter compara o potencial da semaglutida com o sucesso de fármacos para HIV, TB, malária e hepatite em países de baixa renda.
Desafios e perspectivas
O estudo frisa que reduzir o custo não resolve os determinantes estruturais da obesidade, como insegurança alimentar e ambientes alimentares comerciais. A coordenação de políticas públicas e de compras é essencial para ampliar o uso seguro e sustentável dos medicamentos.
A pesquisadora Nomathemba Chandiwana, da Desmond Tutu Health Foundation, destaca que o custo é uma das principais barreiras em países de baixa e média renda. Ela ressalta a necessidade de integração dos fármacos aos sistemas de saúde locais e a ampliação do acesso.
Impacto na saúde pública
Dados da Organização Mundial da Saúde ligam a obesidade a doenças cardíacas, diabetes, derrames e câncer. Estima-se que 3,7 milhões de mortes ocorram anualmente em decorrência do excesso de peso, reforçando a importância de políticas de saúde pública aliadas a medidas de tratamento.
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