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Crise de picadas de cobra na Índia mata dezenas de milhares anualmente

GST indica que 99% dos profissionais de saúde têm dificuldades para administrar antiveneno, com atraso no tratamento aumentando as mortes por mordidas de cobras

Around 50,000 Indians are killed by snakebites each year - roughly half of all deaths worldwide
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  • Oito em cada dez profissionais de saúde na Índia relatam dificuldades para administrar antivenom, com infraestrutura precária, acesso limitado e treino inadequado.
  • Cerca de 50 mil pessoas no país são mortas por picadas de cobras a cada ano, metade das mortes mundiais.
  • Atrasos no tratamento podem levar a amputações, cirurgias ou perda permanente de mobilidade.
  • O governo lançou, em 2024, o Plano Nacional de Prevenção e Controle de Envenenamento por Picada de Cobra (NAPSE) para reduzir pela metade as mortes até 2030.
  • O antivenom disponível na Índia protege apenas contra as “quatro grandes” cobras; especialistas defendem antivenom regionais e melhor acesso, especialmente em áreas rurais.

Around 50 mil indianos morrem por picadas de cobra a cada ano, representando cerca de metade das mortes globais. A cifra é destacada em relatório do GST, que aponta falhas sistêmicas na resposta de saúde à envenenamento por snakebite na Índia.

O GST entrevistou 904 profissionais de saúde em Índia, Brasil, Indonésia e Nigéria. O estudo revela barreiras semelhantes: infraestrutura precária, acesso limitado a soro antiveneno e treinamento insuficiente. Quase metade dos entrevistados associou atrasos no tratamento a complicações graves.

Dados de 2017 da OMS classificam snakebite como prioridade entre doenças negligenciadas. A organização estima 5,4 milhões de picadas anuais e mais de 100 mil mortes globais, com impacto desproporcional em zonas rurais pobres.

Em Índia, a concentração de ocorrências é maior no Centro e Leste. Profissionais como Dr. Yogesh Jain destacam vulnerabilidade de trabalhadores rurais, incluindo comunidades tribais, devido a condições de trabalho e acesso irregular a serviços de saúde.

Em 2024, o governo lançou o Plano Nacional de Prevenção e Controle de Envenenamento por Picadas (NAPSE), com metas de reduzir pela metade as mortes até 2030. O foco está em vigilância, disponibilidade de antiveneno, capacitação médica e campanhas de conscientização.

Especialistas ressaltam que a implementação é desigual. Atrasos no atendimento podem levar a falência respiratória, paralisia e danos irreversíveis. Em áreas rurais, estradas ruins e escassez de ambulâncias agravam o tempo de resposta.

Alguns estados avançam com estoque de antiveneno em postos de saúde primários. No entanto, a aplicação correta continua sendo o grande desafio, já que muitos trabalhadores não são profissionais treinados e temem reações adversas do soro.

Além disso, práticas de cura tradicional persistem em comunidades rurais, levando pacientes a buscar atendimentos apenas quando os sintomas se agravam, o que pode aumentar o risco de óbito.

Gerry Martin, da The Liana Trust, aponta a disponibilidade de antiveneno de alta qualidade como entrave. Hoje, o soro disponível protege apenas contra as chamadas “quatro grandes” serpentes: cobra arborícola, krait, víbora de Russell e víbora de chifre. Outras espécies permanecem sem antiveneno específico.

Estudos da AIIMS, em Jodhpur, indicam que antivenenos regionais podem ter baixa eficácia quando usados sem identificação da espécie. A pesquisa recomenda desenvolvimento de antivenom regional para a Índia Ocidental.

Marcar a situação como não notável em algumas regiões dificulta a mensuração de episódios. Karnataka tornou as picadas notifiáveis em 2024, em um esforço para melhorar o monitoramento e a resposta das autoridades.

Em síntese, especialistas defendem que a redução de mortes depende de vontade política, melhoria de infraestruturas e ampliação do acesso a antiveneno adequado. As ações precisam chegar às camadas mais vulneráveis da população rural.

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