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Turismo de massa atinge recordes e pode trazer impactos

Turismo de massa atinge recordes globais, elevando impactos em patrimônios e comunidades; cidades adotam controles para conter multidões e preservar recursos

(Wikimedia Commons e Getty/Montagem sobre reprodução)
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  • Turistas em massa atingiram recordes globais, com várias cidades europeias impondo medidas para conter multidões, como trilhas com fila única em Machu Picchu e controle rígido na Baía Maya após restauro.
  • O turismo mundial explodiu graças à melhoria de transportes e às redes sociais, com 1,5 bilhão de viagens internacionais em 2025, 4% acima de 2024.
  • Países adotam desde ingressos mais caros e barreiras físicas até uso de IA para indicar épocas menos lotadas; sítios como Machu Picchu e Pompeia impõem limites diários.
  • No Brasil, 2025 fechou com 9,2 milhões de turistas estrangeiros, ganho de 37% frente ao ano anterior; especialistas apontam overtourism e defendem gestão mais sustentável.
  • Recomenda-se distribuir recursos, criar empregos de maior valor, preservar ecossistemas e incentivar destinos alternativos para reduzir impactos culturais, econômicos e ambientais.

O turismo de massa cresce globalmente, com recordes em várias regiões. Enquanto Brasil e outras nações celebram números, cidades europeias adotam medidas para conter multidões e preservar patrimônios naturais e culturais. A pergunta é: como equilibrar demanda e sustentabilidade?

Machu Picchu, em reformas para circulação em passarelas com fila única, exemplifica mudança de experiência para evitar sobrecarga. O arquipélago Ko Phi Phi, reaberto em 2022 após restauração ecológica, impõe regras rígidas, limitando atividades antes comuns aos visitantes.

O fenômeno do overtourism não é novo. Estudos mostraram impactos em redes de água, esgoto, lixo, trânsito, criminalidade e degradação ambiental. Entre 2009 e 2019, viagens internacionais cresceram cerca de 5% ao ano; 2025 registrou mais de 1,5 bilhão de viagens, segundo a OMT.

Algumas cidades recorrem a barreiras físicas, tarifas, controle de acesso e uso de tecnologia para orientar visitantes. Machu Picchu, Pompeia e o turismo de cruzeiro no Mediterrâneo têm limites diários; Florença restringe carrinhos elétricos; várias regiões cobram tarifas de visitação.

Medidas e exemplos globais

Kyoto restringe acesso a ruas para proteger gueixas e o Monte Fuji, enquanto Kyoto e Fujikawaguchiko restringem vias para reduzir impactos. Copenhague criou programa de turismo com taxa e ações de sustentabilidade, inspirando outras cidades. Maiorca usa dados para orientar horários de visitação; a ilha japonesa Fujiyoshida cancelou festivais de cerejeiras em 2026 por excesso de visitantes.

Kyoto também lançou aplicativo com dados de aglomeração e serviços de bagagem. O Japão vê a consistência entre visitação e qualidade de vida dos moradores como medida de sucesso. Santa Maddalena, na Itália, exige pernoite para fotos, restringindo visitas de bate e volta.

Brasil em foco

O Brasil registrou 9,2 milhões de turistas estrangeiros em 2025, aumento de 37% ante 2024. O crescimento foi influenciado por câmbio favorável, campanhas de divulgação e a COP 30. Ainda assim, especialistas destacam que o país não escala comparável aos maiores destinos, exigindo gestão mais eficiente.

João Tasso, da UnB, afirma que o overtourism já existe no Brasil, e que a capacidade de cada destino de absorver impactos é determinante. Mariana Aldrigui, da USP, aponta falhas na gestão pública do turismo e a necessidade de infraestrutura para sustentar o crescimento.

Desafios e caminhos

Cidades litorâneas, Gramado e Tiradentes já enfrentam congestionamentos, problemas de energia e de água. O enfoque atual envolve medidas de contenção, como taxas diárias, além de incentivar turismo de maior valor agregado e distribuição de renda local.

Especialistas sugerem diversificar destinos e promover alternativas menos exploradas. Bruges reduziu publicidade para conter excursões, enquanto Civita di Bagnoregio cobra ingresso para equilibrar visitação e preservação. O Brasil pode ampliar o turismo responsável com políticas públicas que equilibrem crescimento, meio ambiente e comunidades locais.

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