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IA pode ajudar a evitar extinção de plantas vitais, dizem botânicos

IA e digitalização ajudam a mapear espécies em risco e podem abrir uma mina genômica de fungos, acelerando a preservação

A botanist at Kew’s Madagascar research site scans a plant for digitisation.
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  • IA e digitalização podem acelerar a identificação e a proteção de plantas e fungos, ajudando na “corrida contra a extinção”.
  • A Royal Botanic Gardens, Kew, digitalizou todas as suas 7,4 milhões de amostras, tornando-as disponíveis online; globalmente já existem 145 milhões de espécies digitais, mas ainda pouca parte do total em herbários.
  • Um estudo com IA mostrou que o florescimento mudou, em média, 2,5 dias por década, nos últimos cem anos, devido às mudanças climáticas e padrões de chuva.
  • Em pesquisa com herbários, cerca de oitenta por cento das árvores-chave nos Western Ghats, na Índia, floresciam ao mesmo tempo; nos anos noventa esse percentual caiu para menos de cinquenta por cento.
  • Também é possível extrair genomas de fungos de amostras muito antigas, de até 180 anos, abrindo um potencial “minado genômico” para novos medicamentos e predição de surtos.

O uso de inteligência artificial e a digitalização podem acelerar a identificação e a preservação de plantas vitais, diante de uma corrida contra a extinção, segundo um amplo relatório do Royal Botanic Gardens, Kew. A tecnologia permite acompanhar mudanças no tempo de floração, identificar novas espécies e extrair dados genéticos de fungos com mais eficiência.

O estudo destaca que milhões de amostras, antes restritas a arquivos, ficam acessíveis online, fortalecendo a colaboração internacional e abrindo coleções em hotspots de biodiversidade, como Madagascar. Um programa que digitalizou 7,4 milhões de espécimes envolve Darwin entre os inscritos, com acesso público.

Progresso e limites da digitalização

A Kew já digitalizou 145 milhões de espécimes digitalizados globalmente, mas isso representa menos de 16% do acervo em herbários, deixando lacunas significativas. Técnicas de IA ajudam a reconhecer espécies de difícil identificação, como sedges e musgos, por meio de características microscópicas.

O relatório aponta que agentes climáticos atrasaram ou adiantaram a floração de várias espécies, com média de 2,5 dias por década nos últimos 100 anos. Mudanças nas chuvas e nas temperaturas afetam relações com polinizadores e outras espécies associadas.

Fungo e possibilidade de novas descobertas

Pesquisas com fungos mostram avanços: genomes de fungos antigos, com até 180 anos, já podem ser gerados com alta qualidade, abrindo uma “mina genômica” para novos fármacos e previsão de surtos de doenças. Expansão de dados genômicos reforça o potencial terapêutico e agrícola.

Para a conservação, o uso de IA também enfrenta desafios, como o consumo de energia de datacenters. O relatório alerta que dados robustos e equitativos são essenciais para evitar vieses e desigualdades no acesso às informações.

Entrevistas e impactos regionais

Especialistas reforçam que a digitalização facilita a colaboração internacional e o acesso a coleções raras em regiões com alta diversidade, incluindo Madagascar, onde 37 mil espécimes foram digitalizados, oferecendo novas perspectivas sobre a biodiversidade local.

A iniciativa de Kew revela que o acervo global é vasto, mas ainda pouco explorado. O objetivo é ampliar parcerias entre empresas de tecnologia, organizações ambientais, governos e financiadores para ampliar as coleções de plantas e fungos.

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