- Em 26 de abril, autoridades argentinas interceptaram um carregamento incomum em um aeroporto perto de buenos aires, com muitos peixes, polvos e caranguejos mortos ou moribundos; o centro de resgate instalou 10 tanques de emergência para os sobreviventes.
- Foi a terceira apreensão de vida marinha ilegal no mesmo local em um ano, segundo a Associated Press.
- Um estudo internacional mostra que combinar IA com scanners 3D pode ajudar a detectar tráfico de vida marinha, com taxas de acerto entre 86% e 96% para certas espécies.
- O algoritmo foi treinado com 68 amostras de cavalos-marinhos, barbatanas de tubarões e pepinos-do-mar; pesquisadores dizem que a IA deve ser uma ferramenta complementar, não a solução completa.
- Os especialistas alertam que a tecnologia funciona melhor para bagagem de mão e que a fiscalização ainda depende de pessoas, perícia e investigação, além de ser uma etapa inicial no combate ao tráfico.
Um carregamento incomum de vida marinha foi interceptado no domingo, 26 de abril, em um aeroporto próximo a Buenos Aires. Autoridades argentinas encontraram muitos peixes mortos ou agonizantes, além de lulas e caranguejos, o que levou a instalação de 10 novos tanques de resgate para os sobreviventes. Foi a terceira apreensão do mesmo tipo no aeroporto em um ano.
A operação mobilizou equipes de fiscalização e veterinários, que garantiram atendimento emergencial aos animais resgatados. A Fundação Temaikén abriu uma unidade de emergência para receber mais de 700 exemplares que chegaram em estado crítico, após uma tentativa de transferência ilegal para venda como espécies ornamentais. A ação evidenciou o tráfico de fauna marinha na região, destacando a fragilidade de controles.
IA para identificar tráfico de vida marinha
Um grupo internacional de pesquisadores desenvolveu uma combinação de inteligência artificial (IA) com máquinas de raio X em 3D para detectar a movimentação de vida marinha traficada. O algoritmo foi treinado com amostras de cavalos-marinhos, barbatanas de tubarão e pepinos-do-mar, atingindo taxas de detecção entre 86% e 96%.
A equipe destacou que a IA deve atuar como ferramenta complementar à inspeção humana e a cães de biossegurança. Mesmo assim, o recurso representa um avanço técnico, principalmente na triagem de bagagens de mão em aeroportos. A detecção, porém, é apenas o primeiro elo de uma cadeia mais ampla de fiscalização.
Pesquisadores ressaltam que a abordagem ainda enfrenta limitações, como a identificação de pepinos-do-mar, que apresenta maior variabilidade. Além disso, o estudo testa apenas itens secos ou murchos, em bagagens com raio X em 3D, o que nem todos os aeroportos dispõem no momento.
Especialistas em conservação reconhecem o potencial da IA, mas defendem que medidas sistêmicas são necessárias. Entre elas, fortalecimento de recursos para agências de fiscalização, educação pública e combate à corrupção e à pobreza nos países de origem.
Dados de operações globais indicam que o tráfico de vida marinha é crescente e subnotificado. Em uma operação coordenada por Interpol e a Organização Mundial de Alfândegas, foram apreendidos 91 mil animais marinhos no último ano, número que supera somas de outras categorias de fauna capturadas.
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