- O governo panamenho, por meio da Autoridade do Canal do Panamá, planeja um reservatório de $1.5 bilhão para atender a demanda de água nos próximos 50 anos, com início em 2027 e duração prevista de quatro anos.
- O projeto desalocaria 38 comunidades agrícolas, cerca de 2.000 pessoas, abrangendo 4.600 hectares, – cerca de 8% da bacia do Rio Indio.
- A água seria direcionada ao Lago Gatún para consumo humano e operação do canal, reduzindo a necessidade de bombeamento durante períodos de seca.
- Agricultores de Limón de Chagres e regiões vizinhas protestam, chamando o projeto de injusto socialmente e ambientalmente, e defendem a defesa de seus territórios.
- A alternativa defendida pelos produtores é ampliar o reservatório existente alimentado pelo rio Bayano, sem reassentamento, enquanto tramita ação legal contra o projeto.
In o Rio Indio Basin, no Panamá, um projeto de reservatório de US$ 1,5 bilhão visa abastecer demanda hídrica por cinco décadas. A iniciativa, liderada pela Autoridade do Canal da Panamá (ACP), pode desalojar dezenas de comunidades agrícolas, gerando ampla oposição.
A líder camponesa Maricel Sanchéz, de 25 anos, afirma que a luta é para defender o Rio Indio. Ela é porta-voz da assembleia de agricultores, ligada à Coordinadora Campesina por la Vida, que reúne camponeses, comunidades indígenas e grupos civis. A mobilização ocorreu em Panamã City no dia 1º de maio.
O projeto prevê criar um reservatório para fornecer água ao Lago Gatun, atendendo à demanda humana e à operação do canal, especialmente em períodos de seca. As obras devem começar em 2027, com duração estimada de quatro anos, envolvendo uma barragem principal de concreto rolado e três auxiliares.
Segundo a ACP, o reservatório ocupará cerca de 4.600 hectares, aproximadamente 8% da bacia do Rio Indio, e desalojará 38 comunidades, cerca de 2.000 pessoas. O fechamento de comunidades é o principal motivo de resistência das famílias locais.
Impactos ambientais e sociais
Especialistas citados dizem que a área abriga grande diversidade biológica, com espécies endêmicas e presas, além de animais como jacaré-tinga e tamanduá-mirim. A instabilidade ecológica pode favorecer a disseminação de doenças, caso haja reassentamento de populações.
A ACP respondeu que as áreas de reassentamento são definidas com base em critérios técnicos, ambientais, sociais e culturais, buscando manter redes familiares e atividades produtivas. A empresa afirma que fornecerá terras com título e compensações por culturas, animais e rendas perdidas.
Cenário local também é citado como severamente desigual. Moradores relatam carência de estradas, centros de saúde e iluminação pública, com acesso dificultado em emergências. O deslocamento é visto como ameaça à sobrevivência econômica de famílias tradicionais.
Propostas e vias legais
Os defendentes defendem a alternativa Bayano, uma represa existente cujo projeto de expansão manteria moradores no local. Avaliações independentes apontam viabilidade, maior capacidade hídrica e menor tempo de construção, com menor risco ambiental.
Alguns representantes legais questionam o processo da ACP, citando o Não cumprimento de acordos de transparência e o possível descumprimento de tratados regionais. Houve ações no Supremo Tribunal e petições à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ainda sem resultado definitivo.
A cada mobilização, comunidades mantêm vigílias noturnas, com orações e manifestações pacíficas, buscando diálogo com autoridades. Organizações locais defendem que a água seja gerida de forma a respeitar os recursos e a população ribeirinha.
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