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Remoção de elefantes africanos leva à coextinção de besouros coprófagos

Remoção de elefantes africanos provoca coextinção de besouros coprófagos; áreas sem elefantes registram 23% menos espécies e 67% menos indivíduos, prejudicando decomposição e dispersão de sementes

African elephants in Tanzania. Image by Rhett Butler, Mongabay.
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  • Em Mpala, no Quênia, estudo mostrou que remover elefantes levou à coextinção de escaravelhos de esterco locais, pela primeira vez em experimento de campo de larga escala.
  • O experimento durou quinze anos e comparou áreas com elefantes presentes e áreas com elefantes excluídos, iniciando em dois mil e oito com cercas que impediam a presença de certos animais.
  • Os pesquisadores estimaram que, sem elefantes, 28% das espécies de escaravelhos poderiam desaparecer, com base em modelos de associação com esterco de grandes herbívoros.
  • Nas áreas sem elefantes, observou-se queda de 23% no número de espécies de escaravelhos e de 67% no total de indivíduos, além de redução na decomposição de esterco e na dispersão de sementes.
  • Conclusão: elefantes são espécie-chave para o funcionamento do ecossistema, e protegê-los também protege os muitos organismos menores que deles dependem.

Um experimento de campo no Quênia mostrou que a extinção local de elefantes leva à coextinção de besouros do esterco. O estudo revela pela primeira vez esse fenômeno em escala real.

A pesquisa, liderada por Finote Gijsman, ocorreu em Mpala, com áreas cercadas de 10 mil m² simulando a ausência de elefantes. O objetivo foi observar o impacto na comunidade de besouros que se alimenta do esterco de animais maiores.

O projeto começou em 2008 e acompanhou 15 anos de dados para medir mudanças na abundância e na diversidade de besouros, diante da retirada dos elefantes das áreas protegidas.

Metodologia e resultados

Foram avaliadas 179 espécies de besouros e suas preferências por esterco de elefante. Modelos previram que a ausência local dos elefantes eliminaria 28% das espécies de besouros.

Ao final do experimento, 23% menos espécies de besouros e 67% menos indivíduos foram encontrados nas áreas sem elefantes, com queda também na decomposição do esterco e na dispersão de sementes.

Os resultados reforçam que elefantes são espécie-chave para o funcionamento do ecossistema, influenciando serviços como manejo de resíduos e circulação de nutrientes.

Implicações ecológicas

Especialistas independentes enfatizam a vulnerabilidade dos besouros e destacam preocupações sobre o declínio de insetos. O estudo evidencia como a perda de um grande herbívoro pode desencadear efeitos em cadeia.

A pesquisa ressalta a importância da conservação de elefantes não apenas por sua imagem emblemática, mas pelo papel estruturante que exercem em ecossistemas abertos como as savanas.

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