- O governo dos EUA planeja desmontar o Ocean Observatories Initiative (OOI), peça central de monitoramento oceânico que integra o Sistema Global de Observação Oceânica (GOOS).
- Estudos indicam que essa medida degrada significativamente a precisão de previsões meteorológicas, de El Niño e de eventos climáticos extremos, com custos econômicos para EUA, Europa e comunidades pesadas.
- A perda de observações dos EUA elevaria em até 163% o erro nas estimativas anuais da temperatura oceânica, segundo a pesquisa publicada na Nature Climate Change.
- Observadores destacam que dados oceânicos são essenciais para alertas precoces de tempestades e ciclones e que a ciência climática ficaria mais vulnerável sem eles.
- A União Europeia anunciou investimento em OceanEye (€ 92 milhões), parte do monitoramento global; os responsáveis pelo OOI afirmam que o programa será reduzido, não totalmente cancelado.
O governo dos EUA planeja desmontar o Ocean Observatories Initiative (OOI), rede de observação oceânica sob defesa da National Science Foundation. A medida pode reduzir drasticamente a precisão de previsões climáticas e de El Niño, com impactos econômicos.
Pesquisadores alertam que a desativação aumentaria significativamente o erro nas estimativas anuais da quantidade de calor nos oceanos. O estudo aponta que perder observações americanas seria pior que perder aleatoriamente 80% dos dados oceânicos mundiais.
A OOI cobre margens dos EUA, além de áreas no Atlântico Norte e no Oceano Austral, com séries de sensores, gliders e plataformas. Dados alimentam cientistas, decisores, educadores e marinheiros globalmente.
Especialistas destacam que o sistema representa parte central do GOOS, rede internacional de dados oceânicos. Sem ele, sistemas de alerta precoce para tempestades, ciclones e El Niño seriam degradados, elevando riscos à população.
A pesquisadora Sabrina Speich, da ENS Paris, ressalta que o conteúdo de calor oceânico é um indicador-chave do clima. A perda das medições dificultaria acompanhar o aquecimento e a evolução do sistema climático como um todo.
Estudos divulgados na Nature Climate Change indicam que a redução de dados GOOS prejudicaria estimativas de aquecimento oceânico e previsões climáticas. Perder apenas observações dos EUA aumenta significativamente o erro, apontam os autores.
John P. Abraham, da Universidade de St. Thomas, critica a redução do OOI como desvio de foco: custo de sensores é baixo frente aos impactos econômicos de desastres climáticos. Afirmam que a decisão pode comprometer custos de seguros, agricultura e resposta a desastres.
Em paralelo, a União Europeia anunciou o OceanEye, projeto de monitoramento oceânico de €92 milhões, com reforço de capacidades de GOOS. A iniciativa pretende ampliar observações internacionais, não como resposta direta aos EUA, mas como melhoria global.
Samantha Burgess, da Copernicus Climate Change Service, afirma que observações oceânicas são insubstituíveis por não ser possível ver o oceano profundo somente por satélite. Ela destaca a importância da cooperação internacional para reduzir riscos.
A Fundação Nacional de Ciências dos EUA informou que o programa não seria totalmente cancelado, apenas readequado, sem detalhar quais dados seriam mantidos. O objetivo é descrever o que permanece disponível após a desdescopiamento parcial.
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