- O incêndio Atlas Wildfire devastou Napa, Califórnia, em outubro de 2017, queimando mais de cinquenta mil hectares, destruindo 783 estruturas e tirando seis vidas, incluindo um casal da região que não conseguiu escapar quando houve falta de energia.
- Linda Cantey, engenheira aeroespacial, transformou o trauma em ação e ajudou a desenvolver uma toca de abrigo acima do solo chamada Fort, com portas e materiais à prova de fogo, capaz de abrigar até oito pessoas por quatro horas com ar respirável.
- O Fort foi lançado no mês passado, tem duas unidades demonstrativas e pretende atender cerca de cento e cinquenta pedidos por ano, com refugos fabricados em uma instalação de Utah e entregues em cerca de cinco semanas após os pedidos. O preço inicial é de sessenta mil dólares.
- Em contraste, a empresa HiberTec Homes apresentou casas de quase mil pés quadrados movidas por hidráulica que podem desaparecer no subsolo em minutos; o custo estimado é de cerca de 1,2 milhão de dólares por unidade, com disponibilidade prevista para 2030.
- Soluções menos tecnológicas também aparecem, como o uso de cabras para limpar a vegetação. Em Colorado, Kimberly Jones ampliou o rebanho da Goat Mowers LLC para evitar a propagação do fogo, e em Califórnia, a Blue Tent Farms registra demanda crescente por essas opções de mitigação.
Linda Cantey acordou sem o toque do celular na noite em que o Atlas Wildfire avançou pela região de Napa, Califórnia. Ela, engenheira aeroespacial, descreve o momento em que o incêndio varreu o vale e iluminou toda a encosta vizinha, deixando claro o drama vivido pela vizinhança.
A explosão de chamas destruiu centenas de residências e estruturas, em um cenário que evidenciou falhas de deslocamento de moradores. Um casal idoso, que tentou sair pela garagem, não teve tempo: a energia acabou e o acesso ficou bloqueado, impedindo a fuga.
O episódio ocorreu em outubro de 2017, quando o fogo se espalhou por mais de 51 mil acres, consumiu 783 imóveis e tirou seis vidas. A pressão emocional marcou a memória de Cantey, que transformou o trauma em ação pública e empreendedora.
Ela passou a atuar em conselhos locais de segurança contra incêndios e procurou uma empresa de mineração com experiência em câmaras de refúgio subterrâneas. A ideia era adaptar a tecnologia para criar abrigos acima do solo capazes de salvar pessoas em situações de incêndio.
O resultado é o Fort, lançado no mês passado pela Wildfire Safety Systems. O abrigo tem portas resistentes ao fogo, materiais apropriados e espaço para até oito pessoas, com ar respirável por quatro horas. A equipe destaca que o objetivo é oferecer uma última linha de defesa.
O Fort surge em meio a outras iniciativas, desde casas hidráulicas a soluções com cabras pastando para limpar o terreno. A empresa aponta que o custo inicial do Fort fica em torno de US$ 60 mil, e que o produto é voltado para uso emergencial, longe de ser uma opção para permanência durante o fogo.
O projeto teve participação de Josh Behling, presidente da Wildfire Safety Systems, que afirma ser resultado de uma parceria com Cantey. Em testes práticos, o abrigo já foi utilizado com bombeiros presentes, reforçando a natureza de proteção adicional.
Paralelamente, outros empreendedores anunciam propostas alternativas para mitigar incêndios. Nos Estados Unidos, a startup HiberTec Homes apresentou uma casa hidráulica capaz de desaparecer no solo em minutos, com custo estimado de cerca de US$ 1,2 milhão para uma moradia de 93 m². A ideia surgiu após o grande incêndio de Woolsey, na Califórnia, em 2018.
Ao longo do tempo, as previsões sobre disponibilidade variam. A estimativa apresentada pela equipe do Fort indica primeiros show units, com cerca de 150 pedidos anuais esperados, a serem fabricados em Utah e enviados em cerca de cinco semanas após a confirmação do pedido. A implantação em larga escala não é imediata.
Em paralelo, soluções de alto custo e baixo impacto são discutidas como medidas de curto prazo. A adoção de capines com fogo, manejo de vegetação e soluções de contenção ganham espaço entre proprietários, comunidades e órgãos públicos. O tema permanece central para reduzir danos em futuros incidentes.
Além de soluções técnicas, o interesse por abordagens com uso de animais para manejo de vegetação era observado em Colorado, onde uma empresa utiliza cabras para limpar áreas secas. A prática ganhou atenção entre proprietários e entidades ambientais, especialmente em épocas de seca.
As iniciativas destacadas refletem um momento em que incêndios florestais ganham proporções maiores e exigem respostas rápidas, com foco em salvar vidas e proteger patrimônios. A história de Linda Cantey ilustra a relação entre experiência pessoal, inovação e busca por soluções de resiliência.
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