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Risco de intrusão de água salgada em aquíferos costeiros é global, diz estudo

Estudo global aponta risco de intrusão salina em aquíferos costeiros, com quedas acentuadas em diversos locais e potencial impacto no abastecimento de água

A cornfield flooded with salts in the eastern United States. Crops didn’t survive in the low-elevation sections of the field, which abuts a tidal wetland.
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  • Estudo global aponta risco de intrusão de água do mar em aquíferos costeiros, com dados de 1990 a 2024 em cerca de 480 mil locais.
  • Mais de 24% dos locais monitorados mostraram mudança significativa no nível de água subterrânea ao longo do tempo; 54% dessas mudanças foram quedas, indicando vulnerabilidade à salinização.
  • Em alguns locais, as quedas chegam a mais de 50 centímetros por ano; a redução de recarga em climas mais secos e o superdimensionamento de poços são fatores recorrentes.
  • O aumento do nível do mar, causado pela mudança climática, também eleva o risco em diversas regiões e pode ampliar casos de inundações e salinização.
  • Regiões identificadas como mais vulneráveis incluem trechos da costa de Índia (Kerala-Karnataka), partes da Austrália, litoral de Portugal, Espanha, França e cidades como Los Angeles, San Francisco, Houston e o sudeste da Flórida.

Globais, os recursos hídricos subterrâneos são a principal fonte de água potável e de irrigação em muitos lugares. Um estudo recente aponta que vários sítios costeiros enfrentam quedas acentuadas nos níveis de água subterrânea, elevando o risco de intrusão salina.

Mais de 10% dos locais monitorados apresentaram queda significativa ao longo de anos, sugerindo vulnerabilidade à salinização. Em quase metade desses pontos, houve tendência de queda, com alguns registros superiores a 50 cm por ano.

A pesquisa reuniu dados de cerca de 480 mil locais costeiros entre 1990 e 2024, compilados a partir de mais de 20 fontes, principalmente instituições do Global North. Observações se deram em poços com até 100 m de profundidade e até 100 km da costa.

Metodologia e alcance do estudo

A análise utilizou séries de 9 a 19 anos para atender a lacunas nos registros, avaliando mudanças de água subterrânea nesses lugares. Constatou-se que 24% das áreas mostraram alterações significativas ao longo do tempo, sendo 54% quedas e o restante elevações.

A elevação dos níveis de água subterrânea também ocorreu em várias localidades, fenômeno atribuído, em parte, ao aumento do nível do mar. Em alguns casos, o aumento pode gerar inundações subterrâneas, segundo especialistas citados no estudo.

Entre os locais com maior risco de intrusão salina, destacam-se áreas de gradiente raso entre terra e mar e climates mais secos. A equipe aponta exemplos como a costa Kerala-Karnataka, no sudoeste da Índia; o Golfo de Khambhat; zonas próximas a Perth e Melbourne, na Austrália; e trechos da costa de Portugal, Espanha e França.

Perspectivas regionais e limitações

Na pauta internacional, cidades norte-americanas como Los Angeles, San Francisco, Houston e a região sudeste da Flórida aparecem entre as áreas mencionadas pelos autores como potencialmente sensíveis à intrusão salina. Os pesquisadores destacam que o estudo não determina com alta certeza a vulnerabilidade de locais específicos, exigindo avaliações hidrológicas locais com dados de profundidade e salinidade.

Especialistas envolvidos ressaltam que o intrusão salina é uma ameaça séria para áreas costeiras, com impactos diretos na potabilidade da água. O estudo só fornece um panorama adicional, com base em medições reais, e não substitui avaliações locais detalhadas.

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