- Especialistas dizem que o Reino Unido está “caminhando inconscientemente” para uma crise alimentar causada por tempo extremo, inflação e impactos da guerra no Irã, e o governo seria complacente com a ameaça.
- Agricultores enfrentam calor intenso, seca na primavera e risco de quedas de safra; animais sofrem com estresse térmico e há perigo de incêndios.
- Os preços de alimentos devem ficar cerca de 50% mais altos em novembro em relação a cinco anos atrás, pressionados pelo clima e pela inflação.
- Um grupo de especialistas pediu aos ministros que atualizem a estratégia nacional de alimentação, priorizando produção interna mais resistente, preparação para choques na cadeia de suprimentos e acesso a alimentos seguros e acessíveis.
- Analistas dizem que a liderança atual não está atenta o suficiente às evidências e alertam para riscos de segurança nacional em caso de desabastecimento ou interrupção de cadeias de suprimento.
Britain enfrenta o risco de uma crise de alimentação alimentada por eventos climáticos extremos, inflação e impactos do conflito no Irã, segundo especialistas do setor. A alegação é de que o governo não está encarando a ameaça com a seriedade necessária.
Os agricultores relatam pressão severa causada pela vaga de calor atual, seguida de um primavera seca que compromete safras. A produção de gado também sofre com o estresse térmico, aumentando o risco de incêndios florestais e prejuízos econômicos que podem chegar a centenas de milhões de libras.
O preço dos alimentos já se mantém elevado, com projeções de alta de até 50% até novembro em comparação com cinco anos atrás. O calor esperado neste verão, com máximas que podem superar 40 C, intensifica a pressão inflacionária.
Mesmo que o conflito no Irã seja resolvido em breve, o custo de combustível e fertilizantes tende a permanecer alto enquanto não houver alívio na pressão de oferta pela via do Estreito de Hormuz.
Na última semana, a bancada econômica discutiu a adoção de pisos voluntários para preços de itens básicos, ideia recebida com resistência de redes de supermercado e partidos de oposição.
Um grupo de especialistas em alimentação enviou nesta semana aos ministros uma carta defendendo a atualização da estratégia nacional de alimentação. O objetivo é preparar o país para temperaturas mais altas e eventos climáticos mais intensos.
Entre os signatários estão figuras como o ex-diretor de negócios sustentáveis da Marks & Spencer, o executivo da Food Foundation e o representante da Lea Valley Growers’ Association. Eles destacam três prioridades: produção doméstica resiliente, preparação para choques na cadeia de suprimentos e acesso a alimentos seguros e acessíveis.
O professorTim Lang, da City, University of London, afirmou que a estratégia atual do governo é “apenas negócios como sempre” e que os avisos não estão sendo ouvidos. Segundo ele, não há razões para complacência diante de pobreza alimentar crescente e aperto do custo de vida.
Lang disse que o governo não está conectando os pontos entre clima, geopolitica e custo de vida. Segundo ele, é necessária liderança para assegurar fornecimento alimentar em todas as circunstâncias.
Richard Nugee, general aposentado e signatário, declarou que a segurança alimentar deve ser tratada como questão de segurança nacional. Ele citou riscos de redução de oferta por calor extremo e dificuldades de exportação e importação de alimentos.
Nugee mencionou ainda a possibilidade de descontentamento público caso haja falhas no abastecimento e preços, destacando que isso representaria um desafio de segurança para o país.
Relatórios de segurança já indicaram que o colapso de ecossistemas em nível global pode representar uma ameaça para a segurança do Reino Unido, com impactos em conflitos, migração e competição por recursos.
O Climate Change Committee sugeriu manter a produção doméstica de pelo menos 60% da demanda nacional, alertando que os danos da mudança climática podem superar £2 bilhões anuais na década de 2030, frente a cerca de £200 milhões hoje.
Jez Fredenburgh, analista da ECIU, afirmou que agricultores e consumidores não podem suportar essa pressão sozinho, ainda que não tenha assinado a carta.
O Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais foi procurado para comentar sobre o assunto.
Entre na conversa da comunidade