- Em 2025, as operações de voo de imigração dos EUA emitiram cerca de 335.876 toneladas de CO₂, com aumento de 88% em relação ao ano anterior; os quatro primeiros meses de 2026 apontam para novo crescimento.
- A análise indica que o aumento dos voos ocorre com deslocamento de migrantes sérios a centros de detenção e deportações para mais de 79 países, ampliando o alcance além de México e América Central.
- Organizações como Human Rights First e AFSC destacam que o incremento das operações eleva não apenas as emissões, mas também o sofrimento de imigrantes e a poluição local em hubs como Phoenix, El Paso, Harlingen e Alexandria.
- O contexto envolve um aumento significativo de detenções e remoções sob a gestão de Donald Trump, com mais de sessenta mil pessoas detidas no início de abril e uma parcela expressiva sem condenação criminal.
- Autoridades de segurança argumentam que o uso de contenção e restrições durante as deportações é padrão e legal, enquanto as organizações observam impactos ambientais e de direitos humanos associados ao atual ritmo de expulsões.
O aumento expressivo de voos de execução de imigração nos EUA elevou significativamente as emissões de carbono associadas. Dados obtidos pelo Guardian, com apoio de HRF e AFSC, mostram que as operações aéreas de ICE cresceram nos últimos dois anos, ampliando o impacto ambiental.
Em 2025, as emissões estimadas de CO2 das operações aéreas da ICE chegaram a 335.876 toneladas, um salto de 88% em relação a 2024. Nos primeiros quatro meses de 2026, o ritmo manteve-se, com projeção de aumento anual acima de 2025.
Esses voos transportam centenas de milhares de migrantes para centros de detenção distantes e realizam deportações para dezenas de países. A prática intensifica a poluição local em cidades-polo como Phoenix, El Paso, Harlingen e Alexandria.
A análise foi conduzida pela AFSC, com dados da HRF e metodologia da ICAO, e verificada pelo Guardian. O estudo aponta que o uso de aeronaves dedicadas e, às vezes, de aeronaves militares, aumenta a pegada de carbono associada ao processo.
Entre os impactos locais estão a piora da qualidade do ar e riscos à saúde em comunidades com maior exposição a voos de imigração. A disponibilidade de dados permitiu estimar 139.594 toneladas de CO2 somente nos primeiros quatro meses de 2026.
“Estamos diante de um ciclo onde reduzir imigrantes aumenta a poluição, agravando mudanças climáticas e pressões sanitárias”, afirma Savitri Arvey, pesquisadora da HRF. Ela ressalta o ritmo acelerado das operações.
A gestão de DHS, responsável pela ICE, tem destacado o foco em pessoas consideradas os “piores” criminosos. No entanto, mais de 70% dos detidos até abril não possuíam condenação criminal, e a taxa de repatriação de detentos sem condenação dobrou.
Críticas apontam violações de direitos humanos, como contenção física de migrantes. Organizações citam práticas de embarque com restrições corporais, usadas com frequência em voos de longo percurso, e questionam a legalidade dessas ações.
O desenho atual de operações envolve uma rede de voos fretados, com uso parcial de aeronaves da Guarda Costeira e de companhias internacionais, ampliado por um orçamento de cerca de 205 milhões de dólares para esse fim.
Em várias situações, migrantes são enviados a destinos distantes, incluindo países em conflito ou regimes autocráticos. Houve casos de remessa a cidades do sul do México, distantes de famílias e comunidades, aumentando o tempo de deslocamento e o impacto ambiental.
Em resposta a perguntas, DHS afirmou que a prática de restrição física atende a padrões legais e visa a segurança de migrantes e oficiais. A declaração reforça que o protocolo está alinhado com normas vigentes.
A reportagem destaca que o crescimento das operações ocorreu sob a gestão da segunda gestão de Trump, com expansão de deslocamentos internacionais, incluindo embarques para destinos fora da região. A fim de ampliar a capacidade, o serviço elevou o ritmo de voos.
Dados de detenção indicam que o número de detenidos e a rotatividade de remoções aumentaram nos últimos meses. O protagonismo da política migratória tem sido acompanhado de críticas quanto ao tratamento e ao custo ambiental.
Em resumo, o aumento das operações de ICE tem gerado emissões expressivas de CO2, com impactos tanto climáticos quanto locais. A discussão acompanha questões de direitos humanos e de políticas públicas de imigração e meio ambiente.
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