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Brasil protegeu grande parte da Amazônia. Agora precisa pagar por isso.

Na Amazônia, o déficit de financiamento para áreas protegidas atinge US$ 958 milhões em 2023, deixando a gestão insuficiente em parques remotos

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  • Estudo aponta déficit de financiamento em áreas protegidas da Amazônia: em 2023, 72% das áreas estudadas estavam subfinanciadas, totalizando um déficit de cerca de US$ 958 milhões em termos de poder de compra.
  • Nas áreas da Amazônia, o saldo negativo chegou a 79,2% em 2023, ou seja, receberam cerca de um quinto do que podiam precisar para operar.
  • O tamanho das áreas impacta: áreas maiores costumam ter déficits maiores; áreas mais antigas tendem a apresentar déficits menores por já terem rotinas e redes de apoio.
  • Investimento público aumentou nos últimos anos, mas o aumento não acompanhou a expansão da proteção; áreas remotas costumam ter menos visibilidade política e técnica.
  • O estudo recomenda um sistema nacional de financiamento transparente para áreas protegidas, cobrindo órgãos federais, estaduais e privadas, para tornar custos mais previsíveis e facilitar metas internacionais.

O estudo divulgado analisa o financiamento das áreas protegidas na Amazônia brasileira entre 2014 e 2023, revelando déficits significativos. Em 2023, 72% dessas unidades estavam subfinanciadas, com um gap total estimado em 958 milhões de dólares em poder de compra.

A pesquisa, conduzida por Helenilza Ferreira Albuquerque Cunha e colegas, comparou gastos reais com estimativas de custo mínimo de gestão. Abrangendo quase 750 mil km² sob proteção federal, o trabalho aponta que o Amazonas concentrou os maiores déficits, com média de 79,2% em 2023.

O estudo também observa que o país elevou o investimento em proteção ao longo da década, cerca de 30%, e possui um dos maiores sistemas de áreas protegidas do mundo. No entanto, houve expansão de proteção sem mecanismos estáveis de financiamento.

Por que o Amazonas perde mais dinheiro

As áreas da Amazônia são caras para gerir: são grandes, remotas e de difícil acesso. Custos com combustível, transporte, equipamentos, comunicações e segurança sobem rapidamente, exigindo equipes para patrulha extensa.

A análise indica que áreas maiores costumam apresentar maiores déficits. Áreas antigas tendem a ter rotas administrativas mais estáveis e visibilidade política, reduzindo lacunas. Regiões próximas a pessoas costumam apresentar melhores resultados.

O papel de políticas e de financiamento

Mesmo com aumento recente de orçamento ambiental e ações de fiscalização, fontes de turismo e receita pública não cobrem, sozinhas, as necessidades básicas de gestão. Parques como Tijuca e Iguaçu recebem visitas elevadas, o que não ocorre em reservas remotas da Amazônia.

O estudo recomenda criação de uma plataforma nacional de financiamento para áreas protegidas, que acompanhe investimentos federais, estaduais e privados, tornando os custos mais transparentes e alinhados à gestão.

O que pode ajudar a garantir a continuidade

Programas como ARPA e o Amazonas Fund contribuíram para financiar a conservação a longo prazo, mas não resolvem o déficit estrutural. Especialistas sugerem orçamento recorrente estável, financiamento para início de novas unidades e presença contínua de equipes em áreas remotas.

A pesquisa também aponta que organizações internacionais e políticas públicas precisam reconhecer o custo real de manter a Amazônia protegida, indo além de ações pontuais e de curto prazo.

Panorama global

A deficiência de recursos em áreas protegidas não é exclusividade do Brasil. Estudos internacionais indicam que poucos parques ao redor do mundo contam com equipes e orçamento adequados. O atraso entre a designação e a gestão efetiva é uma prática comum em muitos países.

Para a Amazônia, a diferença entre valor de proteção e capacidade de gestão pode impactar diretamente a preservação de biodiversidade, serviços ecossistêmicos e comunidades locais, segundo os autores.

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