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Aves de rapina protegidas na Grã-Bretanha ainda são baleadas, presas e envenenadas, diz RSPB

Relatório da RSPB registra 921 ataques confirmados a aves de rapina entre 2015 e 2024, com a maioria em áreas de caça, impulsionando o debate sobre licenciamento

Fewer then 150 pairs of White-tailed Eagles are thought to live in the UK
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  • A RSPB afirma que, entre 2015 e 2024, ocorreram 921 ataques confirmados a aves de rapina, com mais da metade em propriedades de caça de aves de galinha.
  • Os crimes seriam motivados por dinheiro, visando impedir que essas aves capturem pintos jovens, poupando mais aves para caçadores pagantes.
  • Três condenações este ano foram conseguidas com evidência gravada pela própria RSPB, incluindo dois casos de animais espancados após armadilhas e um caso ligado a uma harpia.
  • A RSPB recomenda licenciamento da caça de aves de galinha na Inglaterra e no País de Gales, com cadastros que permitam suspender ou cassar licenças quando aves protegidas forem mortas.
  • Organizações de caça negam perseguição generalizada, defendem que é prática de uma minoria e afirmam que a caça de aves de galinha contribui para a economia rural; o governo diz considerar licenciamento e outras medidas.

O Royal Society for the Protection of Birds (RSPB) afirma que a caça ilegal de aves de rapina protegidas persiste na Grã-Bretanha, mesmo após décadas de proteção legal. Em um relatório a ser divulgado, a organização registra 921 ataques confirmados entre 2015 e 2024, com mais da metade ocorrendo em áreas geridas para a caça de galináceos.

Segundo o chefe do órgão de investigações da RSPB, os crimes teriam motivação econômica, para evitar que as aves levem filhotes de faisões, perdizes ou tordos, o que deixaria mais aves para ser abatido por clientes pagantes. A RSPB descreve que as vítimas são espécies como águias, gaviões e falcões, entre outras.

Interessados e defesa

Organizações ligadas à caça negam que haja perseguição sistemática, afirmando que é ação de uma minoria e que condenam o crime. A RSPB, por sua vez, defende que a caça de aves de criação de galináceos em Inglaterra e no País de Gales seja licenciada, com consequências mais duras para propriedades onde aves protegidas sejam mortas.

Casos documentados

Entre os incidentes confirmados, o relatório cita dois casos em que aves foram mortas após ficarem presas em armadilhas, uma delas um gavião, e outra um goshawk. Em outro episódio, a investigação revelou uma operação de vigilância para planejar a morte de uma harrier, uma das aves de rapina mais raras do país, em uma toca de harriers no Yorkshire Dales.

Caso noticiado envolve o funcionário de uma fazenda de caça, Racster Dingwall, que chegou com uma espingarda enquanto câmeras ocultas captaram conversas sobre a morte de aves protegidas e a possibilidade de marcar uma harrier com satélite. Dingwall admitiu as infrações e foi multado em 1.520 libras.

Resultados e propostas

A RSPB aponta que as evidências coletadas por seus investigadores, incluindo imagens de câmeras escondidas, contribuíram para três condenações neste ano. Embora os registros tenham caído nos últimos anos, a organização sustenta que apenas a decorrência de inquéritos criminais não basta para coibir o crime a longo prazo.

Proposta regulatória

A instituição defende a concessão de licenças para a caça de aves de criação na Inglaterra e no País de Gales, enquanto a caça a grouse já é licenciada na Escócia. A sugestão é que as licenças possam ser suspensas ou cassadas com base em padrões de prova civil, mesmo diante de dificuldades para processar criminalmente.

Posição das entidades do setor

As organizações de caça argumentam que a licença pode punir propriedades responsáveis e comprometer ações de conservação. Ainda assim, destacam que o setor contribui para a recuperação da natureza, estimando investimento anual de cerca de 500 milhões de libras em projetos de conservação, o equivalente a dezenas de milhares de empregos.

Reação governamental

O governo britânico não apoiou as propostas de licenciamento da RSPB, mas informou que continuará a trabalhar com o setor de caça e outras partes para explorar medidas mais amplas, incluindo licenças. Um porta-voz do Defra mencionou que muitas propriedades já mantêm padrões ambientais elevados e que o objetivo é elevar esse nível em todas as propriedades.

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