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Veneza decide por voto limitar o turismo

Eleições em Veneza definem debate sobre limitar turistas e salvar a cidade do colapso urbano e do aumento do nível do mar

Un grupo de turistas, en la Punta de la Dogana, entrada al Canal Grande de Venecia, el pasado mes de abril.
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  • Em Veneza, as eleições municipais são vistas como um momento para decidir o modelo da cidade diante da massificação de turistas e do risco do aumento do nível do mar.
  • Dois marcadores refletem o dilema: habitantes totalizam 47.461, enquanto o número de camas para turistas chega a 52.541; em 2015 eram 9 milhões de visitantes e atingiram 34,5 milhões em 2025.
  • O candidato de centro-esquerda Andrea Martella propõe limitar o acesso à cidade, com reserva de transporte e serviços, e encomendar estudo para fixar um teto de visitantes, estimado por alguns em cerca de 60 mil.
  • O atual prefeito e candidato da direita, Luigi Brugnaro, é alvo de críticas por gerência e casos de corrupção; o rival Simone Venturini é apontado como possível vencedor, com agenda focada em controle de turismo, moradia e segurança.
  • Além da turistificação, a disputa aborda a ameaça climática: especialistas alertam que o Mose sozinho pode não bastar e que, no longo prazo, Veneza terá de enfrentar o aumento do nível do mar e opções radicais de intervenção.

Venecia decide se limita o número de turistas em suas eleições municipais, em meio à pressão por mudanças no modelo econômico da cidade diante da saturação de visitantes e das mudanças climáticas. O pleito ocorre neste domingo e segunda-feira, até as 15h, com a medida sendo tema central no debate público.

Os números mostram o peso do turismo: 52.541 camas para visitantes e 47.461 moradores registrados, segundo marcadores de Venecia. O crescimento pós-pandemia levou a críticas sobre gestão, pressão sobre transporte público e serviços, e alargou o desgaste político da gestão de 11 anos sob o alcalde Luigi Brugnaro.

A disputa envolve propostas para limitar o acesso sem fechar a cidade. O favorito apontado pelos polls é Andrea Martella, candidato da coalizão de centro-esquerda, que defende um sistema de reservas para transporte, museus e serviços, com estudo para definir um teto de visitantes, estimado em 60 mil por dia.

Entre os contendores, destacam-se Simone Venturini, assessor de Brugnaro, e Marco Gasparinetti, da Terra e Acqua, lista cidadã que critica a dependência econômica do turismo e defende restrições mais rígidas, incluindo uso de imóveis públicos para residentes e controle de aluguéis.

As eleições também aparecem como palco de debates sobre segurança, habitação e preservação da identidade local. Moradores relatam aumento de violência noturna, consumo de drogas e pressão sobre o comércio de bares na cidade histórica, bem como deslocamento de residentes para áreas vizinhas.

Especialistas enfatizam que o desafio é dual: conter o turismo e enfrentar o aumento do nível do mar. O físico Andrea Rinaldo aponta que a Venecia pode enfrentar subida do nível do mar até o fim do século e ressalta a necessidade de planos robustos, incluindo estudo internacional de ideias para salvaguardar a laguna.

Contexto político e social

Vários candidatos defendem medidas urgentes para conter fluxos turísticos e revitalizar bairros habitáveis. Entre eles, a prioridade é reduzir a dependência do turismo de massa, reservar moradias para residentes e incentivar empregos de qualidade. A eleição é vista como decisão sobre o futuro da cidade.

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