- Na COP quinze da Convenção sobre Espécies Migratórias, em Campo Grande, foi apresentado um relatório sobre peixes de água doce migratórios, com foco na conservação transfronteiriça.
- O estudo ampliou a análise de treze mil peixes de água doce para quinze mil espécies, sendo trezentas e cinquenta e poucas migratórias, quase todas ameaçadas.
- O documento recomenda a inclusão de trezentas e vinte e cinco espécies nas Appendices da convenção, com proteção mais ampla para as migratórias em risco de extinção.
- Entre as espécies destacadas estão o dourado e o piramutaba, com quedas acentuadas nas populações desde as décadas passadas, em parte devido à interrupção de conectividade entre rios causada por barragens.
- A ação conjunta entre cinco países amazônicos é vista como essencial, incluindo alinhamento de dados de pesca, fortalecimento de corredores fluviais e avanços em planos de manejo para mitigar impactos de hidrelétricas e obras de navegação.
O lançamento de um relatório sobre o estado dos peixes de água doce migratórios ocorreu em Campo Grande, no Pantanal Biopark, com a presença de cientistas, ambientalistas e autoridades. O evento antecedeu a COP15 da Convenção sobre espécies migratórias, que reúne 132 países e a União Europeia. O tom foi de alerta sobre a segurança dessas espécies.
O estudo abrange 15 mil espécies de peixe, sendo 349 migratórias. Delas, 325 devem ir para os anexos da CMS, ampliando proteções internacionais. Hoje, apenas 58 espécies migratórias aparecem nos anexos, o que evidencia a necessidade de ampliar o escopo.
Entre os peixes em foco estão o dourado, migrante da Amazônia, e o piramutaba. O dourado está listado como vulnerável pela IUCN. A piramutaba enfrenta forte pressão de pesca industrial na foz do Amazonas. Essas espécies comandam ações de cooperação entre países.
Progresso na proteção de peixes migratórios
Durante a COP15, foi aprovada por unanimidade uma etapa de conservação proposta pelo Brasil, voltada aos catfish amazônicos migratórios. A medida surge após avanços no reconhecimento das espécies na região.
O dourado realiza uma das maiores migrações de peixes de água doce, indo dos Andes ao estuário amazonense e voltando para desova. O percurso envolve milhares de quilômetros e depende de conectividade entre rios.
A pesca artesanal sustenta comunidades na região, enquanto o dourado desempenha papel ecológico relevante como predador de topo. O aperto sobre a conectividade fluvial aumenta os impactos de desmatamento, barragens e alterações hidrelétricas.
Desafios e próximos passos
Barragens e obras de navegação afetam a migração de peixes migratórios. Estudos indicam redução acentuada nas capturas e no tamanho dos indivíduos, especialmente na bacia do Madeira. As autoridades destacaram a necessidade de coordenar dados entre países da Amazônia.
Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru precisam alinhar estatísticas pesqueiras e monitoramento. Iniciativas de ciência cidadã, como aplicativos de registro de ocorrências, devem embasar o plano de ação. A cooperação regional fica em foco.
Dams e obras de infraestrutura, aliadas ao combate à pesca predatória, aparecem como os maiores obstáculos. Um novo elo transnacional, incluindo planos para usina no Madeira, pode intensificar o desafio de manter conectividade entre rios.
Olhar institucional e perspectivas
Líderes de organizações ambientais destacaram a urgência de ações coordenadas para evitar o colapso de espécies-chave. O acordo segue firme, com participação de governos, ONGs e comunidades pesqueiras. A expectativa é reduzir o risco de extinção de dourado e piramutaba.
Representantes ressaltaram ainda a importância de manter conectividade hídrica, assim como de respeitar direitos de povos tradicionais. A próxima fase envolve implementação prática das medidas acordadas e monitoramento contínuo.
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