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Governo do México enfrenta desgaste ao alterar férias escolares por Copa e calor

Governo mexicano recua de antecipar férias escolares por Copa do Mundo e calor, após críticas de pais e professores e impacto em 23 milhões de estudantes

Jogo de abertura da Copa do Mundo 2026 será na Cidade do México, no dia 11 de junho — Foto: AFP
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  • O governo do México anunciou a antecipação das férias escolares por mais de um mês, ligando a medida à Copa do Mundo de 2026 e às ondas de calor, mas recuou diante da repercussão negativa.
  • A data prevista para o início das férias era 5 de junho, com início oficial em 15 de julho; a mudança visava facilitar a logística nas três sedes do Mundial no país.
  • A decisão gerou críticas de associações de pais, professores, empresas e governos estaduais, que apontaram impacto negativo no aprendizado e no cuidado com as crianças.
  • O México enfrenta onda de calor, com temperaturas acima de 45 °C em várias regiões, e previsão de calor persistente em junho e julho, o que aumenta riscos à saúde de estudantes e trabalhadores.
  • O governo também citou a realização de 13 dos 104 jogos do Mundial de 2026 no país e a expectativa de até 5 milhões de turistas internacionais como contexto para a discussão.

O governo do México avaliou antecipar as férias escolares devido à Copa do Mundo de 2026 e às ondas de calor que atingem o país. A ideia era reduzir o ano letivo de 2025/26 em mais de um mês para proteger estudantes e facilitar a logística durante as partidas nas três sedes: Cidade do México, Guadalajara e Monterrey. A decisão começou a ganhar força diante do contexto climático intenso.

A proposta previa início das férias em 5 de junho, uma semana antes da abertura da Copa, com término previsto para 15 de julho. O objetivo era evitar temperaturas extremas durante o retorno às aulas e aliviar o trânsito gerado por turistas e delegações. A ideia foi discutida em reunião entre governo, educadores e pais.

Repercussão e recuo

A medida recebeu forte reação negativa de associações de pais, docentes e parte da gestão estadual, além de críticas pela ligação direta com o evento esportivo. Aproximadamente 90% dos alunos estudam em escolas públicas, o que ampliou a contestação sobre impactos no calendário e no aprendizado.

A presidente Claudia Sheinbaum afirmou que o tema exigia equilíbrio entre a paixão pelo futebol e a educação das crianças, destacando o peso do calendário escolar para milhões de famílias. Também houve preocupação com o funcionamento de serviços urbanos e o fluxo de visitantes nas sedes da Copa.

Clima extremo e impactos

O México enfrenta a segunda onda de calor de 2026, com temperaturas acima de 45 °C em vários estados. O Serviço Meteorológico Nacional prevê calor persistente em junho e julho, risco à saúde de mais de 23 milhões de habitantes, principalmente em escolas com infraestrutura precária.

Especialistas destacam que eventos esportivos devem considerar as mudanças climáticas. A pesquisadora Karina Bruno Lima aponta que medidas urbanas, como mais áreas verdes e recursos de resfriamento, ajudam a mitigar ondas de calor e protegem populações vulneráveis.

O país registra aquecimento acima da média global, com a NASA registrando recordes de temperatura em 2026. A organização Centro Universitário Transdisciplinar para a Sustentabilidade indica vulnerabilidade elevada diante de novas ondas de calor, comum em contextos de aquecimento global.

A organização recomenda hidratação, roupas leves, exposição moderada ao sol e uso de protetor solar. O governo mantém a perspectiva de apoiar a realização da Copa sem desconsiderar riscos climáticos e impactos sociais que possam emergir durante o megavento.

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