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Comunidades do leste da Indonésia revivem saberes para proteger mares

Povos costeiros do leste da Indonésia recuperam Kaombo e outras práticas para proteger ecossistemas marinhos, diante da pesca destrutiva

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  • Comunidades costeiras no leste da Indonésia estão resgatando regras tradicionais para proteger ecossistemas marinhos, enfrentando pesca ilegítima, destruição de habitats e caça a tartarugas.
  • O filme Jejak Wallacea acompanha iniciativas em Solor, Wabula, Langkai, Lanjukang e Lipu Akat, mostrando como sanções, patrulhas comunitárias, fechamentos sazonais e reflorestamento de manguezais são usados para conservar as áreas marinhas.
  • Em Solor, surgiram os “mares granários” (kebang lewa lolon), que combinam conservação com sabedoria local e envolve autoridades locais, lideranças tradicionais e instituições religiosas. Também foram criadas criadouros de tartarugas para reduzir a caça.
  • Em Wabula, no Buton, o sistema Kaombo regula o acesso aos recursos marinhos, com penalidades e rituais, como Kaleo Leo, para violadores, além de monitoramento comunitário.
  • O programa Wallacea Partnership II (2020–2024) enfatiza a gestão comunitária de áreas marinhas como complemento às áreas protegidas formais, destacando resultados positivos e a necessidade de incorporar essas práticas às políticas públicas.

Em meio a pressões sobre os oceanos do leste da Indonésia, comunidades costeiras retomam regras tradicionais, fechamentos sazonais de pesca e proteção de tartarugas e manguezais. O objetivo é resguardar ecossistemas marinhos ameaçados pela pesca explosiva, caça a tartarugas e perda de habitat.

O filme Jejak Wallacea acompanha iniciativas em ilhas da região, com apoio de Burung Indonesia e Arise! Indonesia, dentro do Wallacea Partnership Program II, financiado pelo Critical Ecosystem Partnership Fund. O foco são sistemas locais de gestão costeira.

A produção destaca que a conservação na região Wallacea depende de saberes comunitários, não apenas de áreas protegidas formais ou de políticas top-down. A abordagem valoriza sanções locais, patrulhas comunitárias e manejo baseado em costumes.

Solor

Em East Nusa Tenggara, comunidades apoiadas pela Yayasan Tanah Ile Boleng trabalham para reduzir a pesca explosiva e restaurar recifes, chamados de kebang lewa lolon, ou “granarios marinhos”. O desenho de gestão envolve líderes locais, autoridades e instituições religiosas.

Tartarugas são protegidas por tambor de medidas locais, incluindo abrigo de ninhos. Observadores locais monitoram áreas de desova e orientam pescadores a evitar capturas de tartarugas, mesmo quando acidentais. A iniciativa busca manter a reprodução marinha.

Wabula

Em Buton, Southeast Sulawesi, a vila de Wabula mantém Kaombo, sistema tradicional que regula o acesso a áreas marinhas, recifes, manguezais e leitos de plantas. O território é parte da Área de Biodiversidade de Wabula, reforçada por organizações parceiras.

O programa busca dados de recursos pesqueiros, fortalece a comunidade indígena e subsidia políticas locais de manejo marinho. A violação às regras pode ser tratada pelos mecanismos tradicionais, com multas previstas na norms Kaombo.

Uma group de monitoramento comunitário, apoiada pela NGO Destructive Fishing Watch Indonesia, registra biodiversidade para compor um banco de dados local. A prática reforça o conhecimento sobre as condições dos ecossistemas.

Langkai e Lanjukang

No Sul de Sulawesi, comunidades de Langkai e Lanjukang aplicam fechamentos periódicos de áreas de pesca de polvo, com apoio da Yayasan Konservasi Laut Indonesia. A interrupção dura cerca de três meses, permitindo recuperação de população e recifes.

Quando as áreas reabrem, a coleta ocorre apenas de polvo adulto. A prática visa conservar o recurso e melhorar as condições de recife durante o descanso. Técnicas semelhantes existem em outras comunidades da região.

Banggai: manguezais, caranguejos e mulheres

Na região de Banggai, Central Sulawesi, manguezais são vistos como base de biodiversidade e renda. Em Lipu Akat, a área foi reconhecida como vilarejo de turismo, incentivando proteção dos manguezais pelas próprias comunidades.

Inicialmente vistos como fonte de madeira e pesca de caranguejo, os manguezais passaram a ser replantados e restaurados após a queda nas populações de caranguejo. Cada morador planta dezenas de mudas diariamente.

Mulheres formaram um grupo que utiliza folhas de mangue para produzir sabão para louças, ampliando o uso sustentável das árvores. A mudança de percepção mostra como a conservação sustenta meios de vida locais.

Desafios e perspectivas

A produção aponta que áreas geridas pela comunidade podem não estar formalmente reconhecidas como OECMs (medidas baseadas em áreas de conservação fora de MPAs formais). O estudo destaca potencial de integração com políticas públicas regionais.

Especialistas ressaltam que a gestão local pode se tornar importante frente a áreas ainda sem cobertura de redes formais de proteção. A difusão de práticas comunitárias depende de reconhecimento e apoio governamental estável.

A equipe de Burung Indonesia observou avanços na proteção de espécies-chave, como peixes-cardiño e tartarugas, além de melhoria gradual de condições em zonas-alvo. O desafio é ampliar a adoção dessas iniciativas no território nacional.

A divulgação do projeto enfatiza que a conservação baseada na comunidade exige articulação com governos e políticas públicas, assegurando continuidade além do financiamento de programas.

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