- O vulcão submarino Hunga Tonga-Hunga Ha’apai explodiu em janeiro de 2022, lançando cinzas e água salgada na mesosfera, a cerca de 65 quilômetros de Tonga.
- A erupção foi uma das mais violentas da era moderna, gerando uma onda de choque na atmosfera e tsunamis que se espalharam pelo Pacífico e atingiram várias regiões.
- Satélites detectaram uma nuvem com altas concentrações de formaldeído por cerca de dez dias, após a liberação de metano pela erupção.
- O estudo mostra que as cinzas também contribuíram para a remoção do metano, oxidando cerca de 900 toneladas por dia, principalmente devido à água do mar e ao sal liberados pela erupção.
- O mecanismo envolve o cloreto de sódio liberado na atmosfera, que, ao reagir com o ferro das cinzas sob a luz solar, forma cloro reativo capaz de oxidar o metano, gerando formaldeído. A descoberta sugere caminhos para reduzir o metano atmosférico, ainda que com cautela quanto à segurança.
O vulcão submarino Hunga Tonga-Hunga Ha’apai, localizado a 65 km de Tonga, teve uma erupção em janeiro de 2022 que lançou cinzas, vapor de água e água salgada na mesosfera. O evento provocou uma intensa perturbação atmosférica e tsunamis que atingiram várias regiões.
A equipe de cientistas europeus analisou registros da erupção, incluindo medições por satélite, para entender impactos na atmosfera. O estudo, publicado na Nature, aponta a possibilidade de uma auto-limpeza do metano liberado pelo próprio vulcão, via reações químicas.
Detalhes da erupção e da descoberta
Entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022, a erupção foi acompanhada por uma nuvem de cinzas que atingiu cerca de 55 quilômetros de altura. Satélites monitoraram a pluma, que se espalhou pela região e chegou à América do Sul em dias seguintes.
O metano liberado pela erupção, estimado em centenas de milhares de toneladas, pode ter sido parcialmente oxidado pela interação entre cinzas, água salgada e cloreto de sódio. Esse processo gerou formaldeído, detectado por meio do instrumento TROPOMI em altitudes incomuns para o equipamento.
A descoberta indica que as cinzas vulcânicas podem oxidar metano na atmosfera com a ajuda da água do mar e do sal. O formaldeído observado é um indicativo dessa quebra do metano, que é um gás de efeito estufa relevante para o aquecimento global.
Segundo os pesquisadores, a oxidação do metano ocorreria em escala suficiente para reduzir emissões durante dias, o que reforça a ideia de que o metano pode ter um papel de freio temporário no aquecimento global, se replicado de forma segura.
A pesquisa aponta que a prática de replicar esse efeito natural, por meio de intervenções humanas, exigiria comprovação robusta de segurança e eficácia. O estudo utiliza dados de satélite para entender os mecanismos e potentialidades.
Entre na conversa da comunidade