- Cerca de quarenta por cento das espécies dependentes do solo estão ameaçadas ou com dados insuficientes na Lista Vermelha da IUCN, segundo o estudo.
- Os pesquisadores definiram o que é “dependente do solo” e identificaram oito mil seiscentos cinquenta e três espécies que atendem ao critério, incluindo vertebrados terrestres, invertebrados e fungos (plantas foram excluídas).
- Entre as espécies avaliadas, mais de vinte por cento são ameaçadas de extinção e outros vinte por cento têm dados insuficientes para determinar o status de conservação.
- Cerca de trinta e cinco espécies dependentes do solo já foram classificadas como extintas, muitas por usar túneis ou covas como parte de seus ciclos de vida.
- Milhares de espécies dependentes do solo ainda não constam na Lista Vermelha, indicando lacunas de conhecimento; os autores recomendam a criação de um grupo de trabalho da Comissão de Sobrevivência de Espécies da IUCN voltado ao biota do solo.
Dois em cada cinco animais, invertebrados e fungos que vivem no solo estão ameaçados ou com dados insuficientes para avaliar o risco de extinção, aponta um estudo recente. Pela primeira vez, pesquisadores avaliam o risco de extinção de espécies dependentes do solo, com 8.653 espécies incluídas na análise do IUCN Red List, que passam grande parte de sua vida no perfil do solo ou na interface solo-litter.
Entre as espécies examinadas, pouco menos de 20% são classificadas como ameaçadas e outra parcela equivalente é considerada com dados insuficientes para determinar o estado de conservação. Além disso, 35 espécies dependentes do solo são registradas como extintas, em parte por usar estruturas como toca ou corredor subterrâneo para completar seus ciclos de vida, segundo o estudo.
O estudo destaca ainda que milhares de espécies dependentes do solo não estão nem listadas no IUCN Red List, o que dificulta saber o risco real de extinção. A equipe recomenda a criação de uma Força-Tarefa de Biota do Solo dentro da Comissão de Sobrevivência de Espécies (SSC) da IUCN para ampliar a avaliação e o monitoramento.
Impactos e recomendações
Os autores ressaltam a importância do solo para ciclos biogeoquímicos, regulação climática e outros serviços ecossistêmicos, destacando a necessidade de melhor entendimento da proteção dessas espécies. Entre os exemplos de extinção, destacam-se espécies de alguns roedores australianos que vivem em tocas profundas para escapar do calor e de predadores, possivelmente dizimadas pela combinação de degradação de habitat e felinos ferais. Na Nova Zelândia, a espécie Schmarda’s worm também é apontada como provável extinta.
Especialistas destacam a urgência de aumentar o conhecimento sobre fungos e invertebrados subterrâneos, que representam grande parte da biodiversidade do planeta. A proposta de criar uma força-tarefa dedicada envolve organizações que atuam em biodiversidade do solo, inclusive redes nacionais e internacionais vinculadas à FAO.
A pesquisa enfatiza ainda que o desafio de quantificar o número exato de extinções no solo permanece, pela escassez de dados sobre muitos grupos. O estudo é visto como um avanço importante para orientar políticas de conservação voltadas ao habitat subterrâneo e aos organismos que dele dependem.
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