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Bangladesh substitui métodos agrícolas tradicionais por sistema moderno

Escassez de terra e rendimentos levam comunidades indígenas de Chittagong a adotar o machan, elevando safras e proteção do solo, mas afetando a identidade cultural

Vegetables growing on bamboo machan trellises along hill slopes in Bandarban.
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  • No sudeste de Bangladesh, comunidades indígenas do CHt estão migrando do jhum para o machan, cultivo de vegetais acima do solo em treliças de bambu.
  • A mudança ocorre pela escassez de terra arável e pela queda de rendimento; a área de jhum em Bandarban caiu de 9.050 hectares em 2014 para 8.270 hectares em 2025 (22.363 acres para 20.436 acres).
  • O machan oferece vantagens como menor risco de pragas, doenças e encharcamento, além de permitir colheitas múltiplas ao longo do ano.
  • Um exemplo citado: a colheita de 2.400 quilos de bitter gourd em uma única safra, desempenho inviável no jhum.
  • A transição é vista como mais sustentável para as encostas frágeis, mas envolve também questões culturais, já que o jhum representa identidade e tradições das comunidades.

O monitoramento das práticas agrícolas no Sudeste de Bangladesh aponta uma transição significativa: comunidades indígenas da região de Chittagong Hill Tracts estão abandonando o jhum, tradicional cultivo itinerante, em favor do método machan, que eleva as plantas acima do solo em treliças de bambu. A mudança ocorre em meio à escassez de terras aráveis e à redução de safras.

De décadas de prática, povos como Chakma, Marma e Mro vinham alternando áreas reflorestadas com a lavoura, mantendo ciclos de pousio de até 20 anos. Atualmente, porém, o número de agricultores na região aumenta e o pousio se encurta para dois ou três anos, esgotando o solo e prejudicando o rendimento de arroz.

Dados oficiais indicam queda de áreas cultivadas pelo jhum em Bandarban: de 9.050 hectares em 2014 para 8.270 hectares em 2025, reforçando o declínio da prática tradicional diante da pressão demográfica e ambiental.

Machan: uma nova abordagem acima do solo

O machan utiliza treliças de bambu para sustentar plantas trepadeiras, como pepino, luffa e feijão, mantendo as culturas entre 1,2 e 1,5 metros acima do solo. O sistema reduz riscos de pragas, doenças e encharcamento durante as chuvas.

Segundo agricultores locais, como Tipu Tanchangya, o cultivo elevado diminui a exposição a fungos e problemas de acumulo de água, além de permitir colheitas mais frequentes ao longo do ano. Em uma temporada, Tipu alcançou perto de 2,4 toneladas de lufa, algo improvável no jhum.

Além do aspecto econômico, o machan é visto como mais sustentável para as encostas frágies da região. Enquanto o jhum exige queima de grandes áreas de vegetação, o machan utiliza áreas menores para postes e cria sombra com o dossel das plantas, protegendo o solo superficial.

Desafios culturais e perspectivas locais

Para muitos moradores, o jhum não é apenas técnica agrícola, mas parte da identidade cultural, com rituais, canções e encontros comunitários ligados ao manejo tradicional. Instituições locais reconhecem a importância de preservar esse patrimônio mesmo diante da transição.

Prashanta Tripura, dirigente de uma ONG local, ressalta que a identidade ligada ao jhum permanece e recomenda políticas que protejam elementos culturais associados ao cultivo tradicional, mesmo diante da adaptação tecnológica.

O movimento atual envolve agricultores da região de Bandarban e áreas vizinhas, que veem no machan uma resposta prática à escassez de terras e à busca por renda estável, com várias colheitas ao longo do ano.

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