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Maior complexo hospitalar da América Latina cancela compra de carne de tubarão

Hospital universitário de São Paulo cancela compra de mais de dezessete toneladas de cação por risco de metais pesados, após pressão de ONG

Shark meat in Brazil. Image by Philip Jacobson/Mongabay.
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  • O Hospital da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) cancelou a compra de mais de 17 toneladas métricas de cação para o edital de 2026, citando risco toxicológico ligado a metais pesados.
  • O HCFMUSP é o maior complexo hospitalar público da América Latina, com vários institutos em São Paulo, incluindo o InCor (Instituto do Coração).
  • A decisão veio após a ONG Sea Shepherd Brasil encaminhar carta aos gestores do hospital, pedindo reconsideração por causa da ameaça aos tubarões e dos riscos de metais pesados na carne.
  • O Brasil vem adotando regras mais rígidas para a compra de cação por órgãos públicos, com exigências de rotulagem, rastreabilidade e testes de contaminantes em licitações federais.
  • Em andamento, o movimento ocorre em meio a um histórico de grandes licitações de cação no país, com compras feitas por prefeituras e instituições de ensino, hospitais e prisões ao longo dos anos.

A Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) decidiu cancelar a aquisição de mais de 17 toneladas métricas de cação, prevista para o pregão de 2026, devido a riscos decorrentes de metais pesados. A medida foi anunciada após a ONG Sea Shepherd Brasil pedir aos gestores que revisassem o plano de compra.

O HCFMUSP é o maior complexo hospitalar público da América Latina, gerido por oito institutos na capital paulista. O órgão já havia aberto licitações para um volume total de até 135 toneladas de cação entre 2008 e 2020, conforme apurado pela investigação da Mongabay.

Em fevereiro de 2026, o hospital abriu novo edital para aquisição de cação, o que levou a ONG a encaminhar uma carta pedindo a reavaliação. A entidade argumentou que a carne de tubarão pode apresentar altos níveis de mercúrio e arsênico e que muitas espécies estão ameaçadas, representando risco à saúde pública.

Em nota veiculada nas redes, o hospital confirmou a retirada do cação do edital de 2026, citando risco toxicológico comprovado associado a metais pesados e o apoio da Sea Shepherd. A administração reforçou o compromisso com padrões nutricionais e com a segurança dos insumos fornecidos às unidades.

Mudanças regulatórias e contexto

O movimento do HCFMUSP faz parte de uma série de alterações recentes envolvendo o comércio de cação no Brasil, que consome cerca de 40 mil toneladas da carne anualmente. Aproximadamente metade desse volume é importado, em sua maior parte de frotas espanholas e taiwanesas em águas internacionais.

Em março, a 11ª Vara Federal de Curitiba determinou que compras federais de cação devem observar rotulagem de espécies, rastreabilidade e testes de contaminantes, em ação movida pela Sea Shepherd Brasil. A decisão, no entanto, não proibiu integralmente as compras governamentais em esferas federal, estadual ou municipal.

A carne de cação costuma ser vendida sob o nome genérico “cação”, sem identificação da espécie. Pesquisas indicam que muitos brasileiros que consomem cação desconhecem a espécie exata do peixe.

Novas regras e impactos

No fim de março, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima anunciou regras para pesca e comércio de tubarões azuis, visando fortalecer a fiscalização após o tubarão ter ganhado proteção adicional em acordos internacionais. Entre as medidas, está a proibição de alvos diretos para exportação e restrições de peso mínimo.

Entidades do setor criticaram o decreto, alegando excesso de autoridade, enquanto a Sea Shepherd Brasil elogiou a medida como avanço na proteção de espécies marinhas. Organizações ambientais destacam que o tubarão-azul é vulnerável em muitos ambientes, apesar de controvérsias sobre impactos da pesca.

Panorama de compras públicas

Levantamentos da Mongabay apontam que, desde 2004, instituições públicas brasileiras lançaram mais de 1.000 licitações envolvendo cação, em 542 municípios de 10 estados. Em 2025, houve novas licitações significativas, incluindo compras de até 80 toneladas para redes municipais de ensino.

No caso específico do HCFMUSP, a mudança de edital em 2026 envolve o Instituto Central de Higiene e Controle de Cirurgia (ICHC) e o Instituto do Coração (InCor). Outros institutos da rede já haviam terceirizado serviços de alimentação, mantendo, ainda assim, aquisições de cação em etapas anteriores.

A decisão de cancelar o cação na licitação de 2026 não foi apresentada como política institucional de abandono total do peixe, mas sim como ajuste pontual diante de riscos à saúde pública e de tendências de proteção à conservação marinha.

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