- estudo registra microplásticos em tadpoles da espécie Scinax x-signatus e em seus ambientes aquáticos no Parque Ecológico Gunma, no estado do Pará, Amazônia, pela primeira vez, em abril de 2025.
- foram coletadas vinte amostras de água de cinco lagoas formadas pela água da chuva, além de mil tadpoles em cada lagoa, para analisar a contaminação.
- as partículas são principalmente fibras plásticas transparentes, azuis e pretas, possivelmente de poliéster, associadas a esgoto sanitário e atividades pesqueiras.
- pesquisadora destaca preocupação com a saúde dos anfíbios, já que microplásticos podem causar danos genéticos, morfológicos e alterações em tecidos.
- o estudo aponta a primeira evidência de microplásticos alcançando tadpoles na Amazônia e reforça a necessidade de monitoramento para entender impactos na biodiversidade da região.
O estudo divulgado mostra a detecção de microplásticos em girinos e em habitats de lagoas naturais na Amazônia, pela primeira vez comprovando contaminação generalizada na região. A pesquisa envolve pesquisadores internacionais e locais, realizada no estado do Pará.
A equipe coletou 20 amostras de água de cinco corpos d’água formados por acumulação de água de chuva no Gunma Ecological Park, em abril de 2025. As lagoas são locais de reprodução de anfíbios e servem para o desenvolvimento larval de diversas espécies.
Foram retirados 100 girinos de cada lago para análise, de espécies comuns na região, como o sapo-povo Venezuela x-signatus. Em todas as lagoas, foram encontrados microplásticos tanto nas águas quanto nos girinos.
Detalhes da coleta
Os microplásticos encontrados são principalmente fibras transparentes, azuis e pretas, de materiais similares a poliéster. Estudos anteriores na região já haviam identificado fibras semelhantes em peixes, invertebrados, solo e água.
Os autores sugerem que as fibras podem ter origem em esgoto sanitário e atividades pesqueiras, mas ressaltam a necessidade de mais pesquisas para confirmar as vias de entrada na cadeia alimentar aquática.
Resultados e implicações
Os pesquisadores destacam que a presença de microplásticos pode afetar a saúde dos anfíbios, com possíveis danos genéticos e morfológicos. As partículas podem se acumular em tecidos e provocar alterações fisiológicas.
A equipe ressalta a importância de monitorar continuamente a contaminação por microplásticos na Amazônia, especialmente em girinos, para entender impactos na biodiversidade local.
Contexto da pesquisa
Pesquisas anteriores já indicaram contaminação por microplásticos na Amazônia, em peixes, invertebrados e amostras de solo e água. Este estudo amplia o escopo mostrando presença em girinos e seus habitats naturais.
Especialistas externos destacaram a relevância do achado, pois anfíbios são grupo altamente vulnerável e representam uma parcela significativa da biodiversidade regional. Mais dados são necessários para mapear impactos a longo prazo.
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