- Minerals Council of Australia pediu ao governo $13 milhões para testar o uso de inteligência artificial para ajudar empresas a preparar candidaturas e o governo federal a tomar decisões sobre aprovações ambientais.
- O Conselho de Biodiversidade, composto por especialistas de 11 universidades, diz que IA pode ajudar em tarefas simples, mas automatizar avaliações ambientais pode gerar falhas sem transparência, aumentando o risco para espécies ameaçadas.
- Líderes ambientais defendem regras claras nos padrões ambientais nacionais (National Environmental Standards) para acelerar avaliações, com ou sem IA, e ampliar a previsibilidade de decisões.
- Pesquisadores alertam que dados sobre espécies ameaçadas são incompletos ou pouco disponíveis, o que pode comprometer decisões de IA e a proteção da biodiversidade.
- Governo federal afirma que as decisões continuam sendo tomadas por avaliadores humanos, mas que IA pode facilitar as candidaturas; decisões finais não serão tomadas pela IA.
Conservacionistas e especialistas alertaram que a proposta do Minerals Council of Australia de usar inteligência artificial para acelerar aprovações ambientais nacionais pode gerar falhas semelhantes ao robodebt, colocando espécies ameaçadas em risco adicional. O grupo pediu ao governo 13 milhões de dólares para testar a IA na preparação de cartas de registro e no apoio a decisões federais.
Segundo a Biodiversity Council, a IA poderia cumprir tarefas simples, mas automação de avaliações ambientais sem transparência pode levar a decisões falhas. A organização vê riscos de decisões baseadas em dados incompletos ou desatualizados, o que poderia comprometer a proteção de espécies.
A líder de políticas do conselho, Lis Ashby, destacou que a Lei de Proteção à Biodiversidade e ao Ambiente é ambígua e concede discricionariedade ministerial ampla, dificultando regras para a IA. Ela defendeu regras claras nos Padrões Nacionais de Meio Ambiente para acelerar avaliações sem IA.
Prof. David Lindenmayer, pesquisador da ANU, ressaltou que muitos dados sobre espécies ameaçadas são insuficientes ou não públicos, o que pode limitar a qualidade das decisões da IA. Ele afirmou que a IA depende de dados confiáveis para não falhar na proteção da biodiversidade.
Representantes da Australian Conservation Foundation lembraram que a tecnologia pode apoiar a proteção ambiental, mas não deve substituir avaliadores humanos. O foco, segundo eles, deve ser preencher lacunas de dados sobre espécies e habitats antes de adotar IA.
A presidente-executiva do Minerals Council, Tania Constable, disse que a comparação com o robodebt é imprecisa e que a proposta busca fortalecer a proteção ambiental aliado à eficiência. Ela afirma que a IA ajudaria reguladores e proponentes a navegar pela complexidade das avaliações sob o EPBC Act.
Em resposta, porta-vozes do governo federal afirmaram que decisões sobre aprovações continuarão a ser tomadas por oficiais de avaliação, não pela IA. O governo informou que o orçamento será decidido em momento oportuno e que a IA pode tornar as aplicações mais fáceis, reduzindo incertezas.
A pasta de Meio Ambiente reiterou que a automação poderá ser usada apenas como suporte, mantendo o papel humano na decisão final. Também indicou que haverá avaliação de impactos, com foco na proteção de espécies e habitats.
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