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Deltas mundiais estão afundando, ameaçando o sistema alimentar global

Delta do Mekong pode perder até noventa por cento até 2100, com subsidência agravada por extração de água e barragens, ampliando riscos à segurança alimentar global

During prolonged floods, many residents of Vietnam’s Mekong Delta are unable to grow and harvest crops. NGOs have stepped in to help with basic food supplies and cash during times of crisis. Image courtesy of Anh Duong Community Development and Support Center.
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  • O delta do Mekong está afundando; projeções indicam que até 2100 cerca de 90% dessa formação pode desaparecer devido a extração de água subterrânea e captura de sedimentos por barragens, somando-se ao aumento do nível do mar.
  • Globalmente, o Mekong é um dos 40 maiores deltas que enfrentam subsidência acelerada; entre os 19 com maior subsidência estão o Mekong, Nilo, Chao Phraya, Ganga-Brahmaputra e Mississippi.
  • O afundamento ameaça terras agricultáveis, pescarias, áreas urbanas e a biodiversidade, representando risco à segurança alimentar global e aos setores mais pobres que dependem desses deltas.
  • Medidas para frear o problema incluem substituir barragens hidrelétricas por fontes de energia alternativas, reduzir extração de areia e água subterrânea e ajustar práticas agrícolas, mas barreiras econômicas e políticas dificultam.
  • No Vietnã, o delta sustenta milhões de pessoas, grande parte da economia e uma parcela significativa da produção de arroz; inundações mais longas e com água mais alta já afetam comunidades locais e atividades agrícolas.

The Mekong Delta está afundando, e com ele um dos maiores sistemas alimentares do mundo. Projeções indicam que até 2100 até 90% dessa região vital pode desaparecer devido à extração de água subterrânea, captação de sedimentos por barragens e ao aumento do nível do mar.

Um estudo global de 2026 aponta que o Mekong não está sozinho: 40 grandes deltas enfrentam subsidência acentuada combinada ao avanço das águas. Entre os mais impactados estão os delta dos rios Nilo, Ganga-Brahmaputra e Mississippi.

O afundamento generalizado ameaça terras agrícolas, pesca, áreas urbanas e biodiversidade de alto valor. A perda de deltas coloca em risco a segurança alimentar global e afeta comunidades que já vivem em condições econômicas precárias.

Delta subsidence pode ser mitigado com estratégias já conhecidas, como reduzir captação de água subterrânea, limitar extração de areia e ajustar práticas agrícolas. Contudo, fatores econômicos e a vontade política dificultam a implementação.

Na Cần Thơ, no Vietnã, moradores relatam inundações mais longas e severas. A ONG Anh Duong Community Development and Support Center acompanha famílias em situação de vulnerabilidade, oferecendo ajuda emergencial durante crises de inundação.

O estudo de Nature, que utilizou dados de satélite entre 2014 e 2023, mostra que a subsidência afeta 19 deltas, com muitos pontos registrando quedas acima de 3 milímetros por ano. Em alguns casos, a taxa supera o ritmo global de elevação do nível do mar.

Medidas de recuperação dependem de ações coordenadas entre setores. Especialistas defendem que reduzir a extração de água, manter o fluxo de sedimentos e permitir inundações benéficas são passos fundamentais para recompor o delta.

O Mekong, descrito como o “arrozal do Vietnã”, sustenta milhões de pessoas, grande parte da economia do país e uma porção relevante das exportações globais de arroz. Sua perda afetaria não apenas o Vietnã, mas a corrente de segurança alimentar mundial.

Além das áreas rurais, cidades pioneiras localizadas em deltas — como Cairo, Bangkok, Xangai e Ho Chi Minh City — também enfrentam subsidência, elevando o risco de inundações e deslocamentos migratórios se as tendências atuais persistirem.

Especialistas ressaltam que a enchente não é apenas ambiental, mas uma questão de políticas públicas. Reduzir impactos requer reconhecer o valor integral dos rios, incluindo a capacidade de sediar ecossistemas, proteger a biodiversidade e sustentar a produção de alimento.

O tempo de resposta é curto: mudanças no uso da água, controle da extração de sedimentos e restauração de fluxos sedimentares podem frear a subsidência, segundo especialistas, mas exigem vontade política e investimentos setoriais.

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