- Genes que podem criar bactérias resistentes a antibióticos foram encontrados no Lough Neagh, o maior lago do Reino Unido, que fornece água potável a cerca de 40% da Irlanda do Norte.
- As amostras detectaram genes resistentes a múltiplas classes de antibióticos, incluindo carbapenêmicos, além de marcadores de fezes humanas, de bovinos e de porcos.
- Há preocupação com exposição de banhistas: se ingerirem água do lago, poderiam ter contato com genes de resistência, mas ainda não se sabe o impacto na microbiota intestinal ou no risco de infecção.
- A poluição por esgoto e dejeto de animais favorece o surgimento de supermicróbios e o surgimento de bloom algais tóxicos, ampliando o risco ambiental e para a saúde pública.
- Autoridades locais apontam subinvestimento histórico em infraestrutura de água e saneamento; novas testagens e planos de investimento permanente são esperados para monitorar e reduzir poluição na bacia do lago.
Lough Neagh, o maior lago do Reino Unido, teve genes resistentes a antibióticos detectados em amostras de água. A água do lago abastece cerca de 40% da população da Irlanda do Norte e foi analisada por Watershed Investigations e o Guardian. Genes resistentes a várias classes de antibióticos, incluindo carbapenêmicos, foram encontrados.
Os resultados indicam resistência a penicilinas, quinolonas, macrolídeos, aminoglicosídeos e cefalosporinas, além de tetraciclina. Os carbapenêmicos são usados como última linha de defesa. A presença dessas genes sugere potencial risco de superinfecções.
Também foram identificados marcadores de fezes humanas, bovinas e suínas na água, indicando contaminação por esgoto e dejetos de animais. Pesquisadores apontam que saídas de esgoto não tratadas e a aplicação de dejetos agrícolas favorecem a disseminação de resistência.
Conexões com poluição e gestão de recursos
Saneamento inadequado é apontado como um fator central para esses resultados. O Ministério da Agricultura, Ambiente e Assuntos Rurais da Irlanda do Norte admite décadas de subinvestimento em infraestrutura de água e saneamento, o que compõe o cenário de poluição de rios e lagos.
Especialistas alertam que até o tratamento de esgoto não elimina completamente genes de resistência. A rede de saneamento e a gestão de dejetos continuam alimentando ambientes aquáticos com resíduos, o que amplia o risco de disseminação de resistência bacteriana.
Repercussões e ações
O setor de água da Irlanda do Norte reconhece déficits de investimento e afirma que trabalha para melhorar monitoramento, com novas equipes e equipamentos para rastrear sobrecargas de esgoto. O objetivo é reduzir incidentes de poluição e proteger a qualidade da água.
Autoridades também destacam que a contaminação por dejetos animais e o uso de antibióticos na agropecuária contribuem para o problema. Planeja-se ampliar testes e construir planos de ação para o lago e a bacia hidrográfica.
Ressalta-se que, sem intervenções urgentes, a situação representa desafio à saúde pública e à qualidade ambiental. Organismos internacionais ressaltam a importância de monitoramento de AMR em águas para mapear impactos e orientar políticas.
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