- Em uma reserva natural na Itália, pesquisadores registraram o primeiro ataque de raposa-vermelha a lobos-cinzentos, captado por câmeras ao redor da toca.
- O episódio ocorreu na noite de 16 de maio de 2025, quando dois filhotes de lobo, com cerca de quatro dias de vida, estavam na toca sem adultos por perto.
- A raposa observa a toca, investe e arrasta um filhote para fora; o som dos ganidos é ouvido na gravação, e o filhote não sobrevive.
- O segundo filhote não foi localizado após o ataque, e o grupo de lobos migrou para outra região dois dias depois; não houve confirmação de um segundo ataque.
- O estudo, da Universidade de Sassari, é publicado na Current Zoology e sugere que predadores de porte intermediário podem exercer pressão direta sobre filhotes de lobos, mesmo com presas mais fáceis disponíveis.
O que aconteceu, quem esteve envolvido, quando e onde: pesquisadores da Universidade de Sassari, na Itália, registraram o primeiro caso conhecido de raposa-vermelha atacando filhotes de lobo-cinzento. O registro ocorreu na noite de 16 de maio de 2025, em uma reserva natural italiana, onde foram instaladas cinco câmeras ao redor da toca de lobos para observar o nascimento de dois filhotes há poucos dias.
Os filhotes nasceram há cerca de quatro dias e estavam sob a proteção da toca, sem adultos por perto naquela noite. Chips de rastreamento indicavam que os demais lobos estavam longe, caçando. A raposa-vermelha foi observada espreitando a toca, atacando e levando um filhote durante a investida registrada pela câmera.
A gravação mostrou o momento em que a raposa aproxima-se, fareja a toca e, ao atacar, os ganidos do filhote são audíveis. O filhote se liberta e retorna à toca, mas a raposa investe novamente e recaptura o animal. A filmagem não registrou o desfecho final, pois a câmera não capturou o momento da retirada completa.
Contexto científico
A descoberta, publicada na revista Current Zoology, redefine interações entre predadores de diferentes níveis na cadeia alimentar. Pesquisadores destacam que a raposa não agiu por necessidade alimentar imediata, mesmo com presas disponíveis, como cervos na região. A hipótese é de ataque oportunista, possivelmente associado à menor atividade de lobos na área naquele período.
O estudo observa ainda que raposas-vermelhas costumam variar o comportamento em relação aos lobos, alternando entre evitar e atrair conforme o risco percebido. Não se sabe se o caso é isolado, mas aponta para uma nova possibilidade de ameaça aos lobos por parte de mesocarnívoros.
Os pesquisadores ressaltam que o registro amplia o conjunto de interações antagônicas que afetam filhotes de lobos e sugere que animais de porte intermediário podem influenciar o desempenho reprodutivo de predadores de topo. O artigo é resultado de monitoramento contínuo da toca e análise de dados de rastreamento.
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