- O estudo analisou mais de duzentos anos de dados de floração de plantas tropicais na África, Ásia e América do Sul, com 8.000 espécimes coletados entre 1794 e 2024.
- Foram identificadas 33 espécies com tempos de floração distintos e registrados dados ao longo do tempo.
- A floração mudou em média dois dias por década, com cerca de um terço das espécies florescendo mais cedo e dois terços mais tarde.
- Houve exceções: árvores brasileiras Peltogyne recifensis passaram a florescer 80 dias mais tarde desde a década de 1950, enquanto Crotalaria mortonii floresceu 17 dias mais cedo até 1995.
- Os autores destacam que as mudanças são comparáveis às observadas em plantas temperadas e podem afetar relações de polinização e fauna frugívora; os herbários fornecem dados para analisar impactos climáticos ao longo do tempo.
O estudo examina mais de 200 anos de dados de floração de plantas tropicais coletadas em herbários na África, Ásia e América do Sul. Foram identificadas 33 espécies com tempos de floração distintos a cada ano, envolvendo 8.000 amostras entre 1794 e 2024. O resultado mostra uma média de desvio de dois dias por década.
A análise aponta que aproximadamente um terço das espécies floresceu mais cedo e dois terços mais tarde, indicando mudanças consistentes ao longo do tempo. Entre os sinais mais marcantes estão casos excepcionais de atraso e adiantamento significativos na floração de determinadas espécies.
Pesquisa liderada por Skylar Graves, da University of Colorado Boulder, indica que herbários são ferramentas úteis para avaliar impactos climáticos na flora ao longo de gerações. Graves afirma que as coleções funcionam como conjunto de dados global e multigeracional.
Implicações para ecossistemas e polinizadores
Os autores destacam que as mudanças nos padrões de floração podem afetar relações com polinizadores e comportamento de espécies frugívoras, incluindo primatas. A sincronização entre plantas, insetos e animais que dependem de frutos pode ficar comprometida, com impactos potenciais na biodiversidade e nos serviços que beneficiam o homem.
Observação de especialistas
Pesquisadora externa argumenta que descompassos entre plantas e fauna podem reduzir a disponibilidade de alimento e a diversidade biológica. O estudo reforça a utilidade de dados históricos para entender respostas climáticas, especialmente em regiões com pouca variação de temperatura anual.
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