- Lobistas da Stove Industry Association enviaram avisos legais a oito conselhos para contestar campanhas públicas que alertam sobre os danos da poluição do ar causada pela queima de madeira.
- A BMJ, por meio de pedidos via Freedom of Information, identificou que Oxford, Brighton and Hove e outros sete conselhos londrinos também foram alvo da indústria.
- A SIA informou que as mensagens visavam tornar as campanhas proporcionais, equilibradas e que distinguem entre lareiras abertas, aparelhos antigos e modelos com design ecológico.
- O debate ocorre em meio a evidências de que a queima de madeira gera partículas finas (PM2,5) associadas a problemas de saúde, apesar de promessas de benefícios à saúde em algumas campanhas.
- O governo está conduzindo uma consulta sobre fogões a madeira, encerrando em 19 de março, com críticas de que não propõe proibições ou restrições urbanas e sugere apenas emissões mais baixas e rótulos de saúde.
O lobby da indústria de lareiras a lenha no Reino Unido enviou ameaças legais a conselhos municipais que promovem campanhas de informação pública sobre os danos da poluição do ar. Segundo estudo do British Medical Journal (BMJ), pelo menos oito conselhos receberam notificações legais no fim de 2023, alegando descumprimento de códigos de publicidade.
A associação que representa o setor, a Stove Industry Association (SIA), escreveu aos conselhos, todos de Londres, criticando panfletos que descreviam as lareiras de lenha como “desleixadas, não acolhedoras”. Em torno de 50 conselhos com maior concentração de lareiras foram analisados pelo BMJ via FOI. Oxford foi alvo de uma reclamação, em 2022, mas sem ameaças legais formais. Brighton e Hove enfrentaram queixa junto à Advertising Standards Authority.
Envolvidos e sequência dos fatos
A SIA também pressionou outros sete conselhos sobre campanhas relacionadas à madeira. Algumas peças de promoção continham afirmações de que a queima de madeira poderia trazer benefícios à saúde, incluindo a redução da pressão arterial, o que gerou críticas de grupos de saúde pública. A organização afirmou que o objetivo era assegurar campanhas proporcionais e equilibradas, distinguindo entre lareiras abertas, aparelhos antigos e modelos modernos com desenho ecologicamente correto.
Impactos na saúde e controvérsias regulatórias
Especialistas apontam impactos significativos na qualidade do ar, pois lareiras a lenha produzem PM2,5, partículas associadas a várias doenças. Estudos recentes vinculam queimadas domésticas a milhares de mortes anuais no Reino Unido, ainda que as emissões de modelos ecodesign sejam superiores a fontes como caldeiras a gás. A SIA já foi previamente flagrada em violação de códigos publicitários, segundo decisão da ASA.
Contexto público e visão governamental
O governo iniciou uma consulta sobre lareiras, com foco em reduzir emissões e definir novos rótulos de saúde. Ambientalistas criticam a ausência de opções para proibir ou restringir o uso urbano, sugerindo que a consulta equipare a saúde pública com avanços tecnológicos de baixo emissão. O prazo para a consulta termina em 19 de março.
Declarações oficiais
A SIA reiterou que não busca impedir campanhas de saúde pública e que as trocas com autoridades locais visam apenas assegurar equilíbrio e clareza entre diferentes tipos de aquecimento. O Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais ressaltou a necessidade de reduzir emissões domésticas e de incluir informações que ajudem famílias a fazer escolhas mais saudáveis ao aquecerem suas casas.
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