- Dois suspeitos foram condenados na Zimbabwe por matar um leão e traficar suas partes, recebendo duas anos de prisão.
- A condenação foi possível graças a DNA forense: partes apreendidas foram ligadas ao leão rádio-acolhido morto próximo ao Hwange National Park, há dois anos.
- É a primeira vez no mundo que o DNA de um leão é usado para prender responsáveis por crimes contra a vida selvagem.
- Partes apreendidas incluíam três sacos de carne, dezesseis garras e quatro dentes; os vendedores não possuíam licenças, caracterizando caça furtiva de animais silvestres.
- A investigação envolveu pesquisadores da Victoria Falls Wildlife Trust, com apoio da TRAFFIC e TRACE, e pode estabelecer precedente para o uso de genética em casos futuros.
DNA fingerprinting condena caçadores de leões no Zimbábue em caso histórico
Uma investigação de estilo CSI no Zimbábue resultou na condenação de duas pessoas pela morte de um leão e pelo tráfico de dentes, carne e outras partes do animal, em fevereiro. Técnicas forenses associaram DNA coletado de partes apreendidas às amostras de um leão radio-colarizado abatido há dois anos.
As peças apreendidas, incluindo três sacos de carne, 16 garras e quatro dentes, seriam comercializadas no mercado negro. Como leões podem ter origem de criação controlada com a devida documentação, provar que as peças vinham de um leão selvagem foi crucial para enquadrar o crime como caça ilegal.
A condenação marca um precedente mundial: é a primeira vez que o DNA de um leão foi usado para identificar os responsáveis por crimes contra a vida selvagem. Os réus receberam duas anos de prisão, segundo informações oficiais. A análise genética foi conduzida por cientistas de uma ONG de Zimbabwe, com apoio de organizações internacionais.
Contexto e implicações
A investigação utilizou dados genéticos de um leão selvagem que os pesquisadores acompanharam durante um estudo. Ao capturar o animal para instalação de um radiotransmissor, amostras de sangue foram coletadas e cadastradas no banco de dados de DNA.
A prova genética permitiu associar os materiais apreendidos ao leão morto, o que ajudou a demonstrar a tipificação do crime como caça ilegal. A prática de comércio internacional de partes de leões criados em cativeiro exige documentação, a qual não foi apresentada pelos vendedores.
Especialistas afirmam que casos de fauna silvestre costumam depender de evidências circunstanciais, dificultando condenações. A aplicação de DNA forense reforça a capacidade de responsabilizar criminosos com maior precisão.
Traços do mercado de leões na região indicam alta demanda por parte de colecionadores, praticantes tradicionais e mercados de joias, sobretudo na África e em partes da Ásia. Organizações de proteção ambiental destacam o risco de extinção de leões na África, com menos de 25 mil exemplares no continente.
A condenação no Zimbábue é vista como um avanço para a aplicação da lei ambiental na região. Especialistas em comércio ilegal de vida silvestre ressaltam que o uso de DNA pode criar precedentes úteis para casos adicionais na África do Sul e em outros países vizinhos.
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