- O Amazon Soy Moratorium, acordo voluntário para reduzir desmatamento na Amazônia, pode chegar ao fim, o que preocupa líderes indígenas e pesquisadores sobre aumento de desmatamento em terras indígenas.
- Abiove, associação de indústrias de óleo vegetal, anunciou retirada do pacto; Anec ainda não saiu, mas 13 de seus 24 membros também integram a Abiove.
- Estudo do IPAM estima que, se o moratório acabar, o desmatamento acumulado até 2045 pode ser 30% maior; Amazonas e Acre seriam os estados mais impactados.
- Líderes indígenas avaliam o fim do moratório com apreensão, citando invasões de terras para soja e riscos a rios afetados por pesticidas.
- Governo federal afirma que a eventual suspensão não enfraquecerá políticas de fiscalização; organizações ambientais alertam para impactos adicionais e expansão de produção de soja.
O fim do Ato de Moratória da Soja da Amazônia, um acordo voluntário entre empresas, órgãos públicos e ONGs para reduzir o desmatamento, pode ampliar a pressão sobre terras indígenas e favorecer a invasão de áreas para a produção de soja. A possibilidade de rompimento já desperta preocupação entre líderes indígenas e pesquisadores.
Dados de monitoramento apontam que a moratória ajudou a conter desmatamento após 2006, com queda de novos focos nas primeiras décadas. Contudo, nos últimos dois anos, lideranças de direita estimularam ações legais para encerrar o pacto, com apoio de entidades do agronegócio.
A Abiove, associação que reúne grandes exportadoras, anunciou a saída de parte de seus signatários, incluindo nomes como Bunge e Cargill. Anec, outro signatário, ainda não confirmou a saída formal, embora muitos seus membros estejam ligados à Abiove.
Contexto
Estudos recentes indicam que, se o acordo se dissolver, a área desmatada cumulativamente até 2045 pode subir até 30% em relação aos registros atuais, com maior impacto em Amazonas e Acre. Isso elevaria as pressões sobre áreas já previstas para expansão da soja.
Indígenas de diversas etnias veem o fim do pacto como risco direto aos territórios e aos recursos hídricos. Lideranças Kayapó e Munduruku destacam preocupação com contaminação de rios por pesticidas e com a invasão de pesticidas e tratores em territórios tradicionais.
Para Paresi, Nambikwara e Manoki, que já cultivam parte de soja em seus territórios, a discussão envolve também aspectos de soberania econômica. Alguns líderes defendem que a produção pode seguir regras locais, desde que haja reconhecimento formal dos direitos, crédito e assistência técnica adequada.
Governo e instituições
O Ministério do Meio Ambiente afirmou que o fim da moratória pode aumentar a pressão sobre áreas desmatadas e deslocar a produção para novas frentes. A pasta garante reforço de monitoramento, fiscalização territorial e mecanismos de crédito para atividades sustentáveis.
O governo de Mato Grosso contestou a ideia de que o fim do acordo criaria uma norma paralela ao Código Florestal. A instituição ressaltou a importância de leis federais e de fiscalização para manter padrões ambientais, sem ampliar injustiças.
0 Ministério e organizações ambientais defendem que a moratória demonstrou ser compatível com expansão agrícola sem prejuízo ambiental, mas reconhecem que o fim pode exigir novos instrumentos de governança e de proteção às terras indígenas.
Reações locais
Líderes indígenas lembram protestos em Santarém contra projetos de dredging no Tapajós e reiteram que concessões a grandes produtores colocam a água e a biodiversidade em risco. Ativistas destacam que a retirada do pacto pode favorecer a expansão de áreas já desmatadas.
Fontes da indústria ressaltam que a moratória ajudou a consolidar o Brasil como fornecedor de soja com padrões socioambientais. Em Mato Grosso, defensores de políticas fiscais apontam que incentivos atuais já favorecem a produção, com ou sem o acordo.
Perspectivas
Especialistas ligados a IPAM estimam que o desfecho do pacto pode exigir nova arquitetura regulatória para equilibrar produção e conservação. Em áreas ricas em biodiversidade, como Xingu, o tema é visto como decisivo para o futuro ambiental da região.
O governo federal indicou que continuará monitorando áreas desmatadas, com ações de fiscalização fortalecidas e políticas para promover produção sustentável de soja sem danos a comunidades tradicionais.
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