- A conservação liderada por comunidades é mais eficiente e resiliênte que modelos tradicionais, com autoridade próxima de quem depende da terra.
- Modelos locais reduzem custos e elevam desempenho: por exemplo, Makame WMA, na Tanzânia, opera a apenas US$ 23 por quilômetro quadrado por ano, frente a parques nacionais que precisam de US$ 800 ou mais; isso reduziu a caça furtiva em 94% nos últimos três anos.
- A maior parte da biodiversidade mundial está em terras administradas por comunidades indígenas, que também apresentam menor degradação, desmatamento e caça ilegal em muitas situações.
- O financiamento à conservação ainda trata comunidades como implementadoras de curto prazo, em vez de guardiãs de longo prazo, o que desvia recursos de quem faz a gestão diária dos ativos naturais.
- A governança local deve ser incorporada ao modelo de negócios da conservação desde o início, para ampliar escala, legitimidade e resultados estáveis ao longo de ciclos políticos e financeiros.
A 5ª Business of Conservation Congress, em Nairobi, debate caminhos para investir em negócios baseados na natureza. O evento, liderado pela African Leadership University, discute mercados, modelos empresariais e finanças blended para conservação.
O tema central é o que torna a conservação investível, resiliente e escalável. O ceticismo persiste quanto à eficácia dos recursos aplicados nas últimas três décadas diante da perda de biodiversidade e das mudanças climáticas.
Pesquisadores e financiadores analisam ferramentas financeiras e a necessidade de realinhar investimentos com a gestão local. A ideia é reforçar a governança com instituições legitimadas localmente para reduzir custos de cumprimento e de transação.
Dados de áreas de manejo comunitário na África mostram custos menores e resultados positivos. Por exemplo, áreas conservacionistas administradas por comunidades registram custos de gestão bem abaixo dos parques nacionais.
Um caso emblemático é a Makame WMA, na Tanzânia, apoiada pela Honeyguide Foundation. O programa opera a 23 dólares por quilômetro quadrado ao ano e reduziria a caça ilegal em 94% nos últimos três anos.
Especialistas destacam que modelos locais tendem a ser mais resilientes em choques financeiros e políticos globais. Durante a pandemia de COVID-19, áreas geridas pela comunidade mantiveram metas sem aumento da caça ou degradação.
Os debates destacam que a maior parte da biodiversidade remanescente fica em terras geridas por comunidades indígenas. Em várias regiões, essas áreas apresentam menores índices de desmatamento e de destruição ambiental.
A discussão aponta que comunidades não são apenas beneficiárias, mas gestoras efetivas do capital natural. O ativo envolve terras, wildlife, ecossistemas e também sistemas de governança locais.
Uma crítica comum é que o financiamento de conservação ainda trata comunidades como implementadoras de curto prazo. O modelo atual tende a favorecer intermediários, em detrimento de quem vive diariamente a conservação.
Analistas sugerem que o financiamento precisa valorizar a governança local como retorno de investimento. Investimentos de longo prazo podem ampliar legitimidade, resultados estáveis e escala.
Especialistas afirmam que a governança forte, com capacitação contínua, facilita decisões responsáveis, transparência e resolução de conflitos. Nesse cenário, a conservação viraria um investimento sustentável ao longo de décadas.
Para que economias de vida selvagem e negócios baseados na natureza prosperem, a conservação deve funcionar como sistema. O objetivo é alinhar capital, decisão e incentivos com as comunidades locais desde o início.
Se a mudança não ocorrer, o fluxo de recursos pode permanecer irregular e ineficiente. Por outro lado, o alinhamento entre comunidades, capital e instituições tende a ampliar impacto, legitimidade e escala.
Os participantes destacam que, quando as comunidades cuidam dos ativos naturais, os benefícios se expandem para doadores, investidores, governos e, principalmente, as comunidades locais.
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