- Justin Claude Rakotoarisoa, guardião dos anfíbios de Madagascar, morreu aos 45 anos, segundo informações vinha de complicações relacionadas à pressão alta.
- Ele teve papel central no centro de conservação e reprodução de anfíbios near Andasibe, mantido pela Mitsinjo, definido para evitar extinções locais mantendo animais em cativeiro como reserva de biodiversidade.
- Entre os trabalhos, liderou ações para manter a população da rã mantella dourada Mantella aurantiaca, em um ambiente próximo a Moramanga e diante do crescimento industrial na região.
- Em 2017, mais de mil e quinhentos sapos criados em cativeiro foram reintroduzidos em viveiros próximos à mina Ambatovy, como medida de mitigação ambiental.
- Rakotoarisoa também ajudou a traduzir guias científicos para o crioulo malgaxe, fortalecendo a ponte entre pesquisadores, guias locais e comunidades.
Justin Claude Rakotoarisoa, guardião dos anfíbios de Madagascar, faleceu aos 45 anos, vitimado por complicações associadas à hipertensão. Ele atuava na organização comunitária Mitsinjo, ligada à conservação na região de Andasibe.
Rakotoarisoa nasceu próximo a Andasibe, área onde o indri, maciando, marca presença no ecossistema. Formou-se como guia e ajudou a transformar ecoturismo em motor de conservação sem desmatamento da floresta.
Ao longo dos anos, integrou Mitsinjo, contribuindo para tornar o conhecimento científico acessível aos moradores locais. Traduziu guias sobre anfíbios para o malgaxe, ampliando a comunicação entre pesquisadores e comunidades.
Tob y Sahona: centro de conservação de anfíbios
Em 2011, Mitsinjo ajudou a estabelecer a instalação de conservação e reprodução de anfíbios próximo a Andasibe, hoje conhecida como Toby Sahona. O objetivo era manter uma reserva em cativeiro para evitar extinções locais em caso de doenças ou perda de habitat.
Rakotoarisoa supervisionou grande parte das operações, combinando prática de campo e disciplina de laboratório. A qualidade de manejo em cativeiro envolve controle de lotação, temperatura, umidade e alimentação adequada.
Entre as espécies, destaca-se a rã mantella dourada Mantella aurantiaca, cuja área de ocorrência é restrita próximo a Moramanga. A missão incluiu monitorar a população diante de pressões ambientais na região, incluindo atividades mineiras.
Monitoramento e pesquisa na prática
Em 2017, mais de 1.500 rãs criadas em cativeiro foram reintroduzidas em tanques próximos à Mina Ambatovy, com fundadores capturados de áreas ameaçadas. Os animais foram marcados para monitoramento e deslocados de áreas previstas para desmatamento.
A experiência de Toby Sahona vai além da reprodução: o centro também gerou dados científicos sobre 11 espécies de rãs, com padrões de criação e desenvolvimento registrados por Rakotoarisoa como pesquisador principal.
Rotina técnica e comunitária
A rotina envolveu criação de cultura de insetos para alimentação, preparação de dietas com spirulina e polvo de camarão para girinos, e improvisos quando faltavam insumos. O objetivo era manter a continuidade das criações para reprodução bem-sucedida.
Colegas descrevem Rakotoarisoa como pessoa calma, curiosa e disposta a compartilhar conhecimento com jovens conservacionistas. Sua atuação facilitava a ponte entre visitantes, pesquisadores e comunidades locais.
Legado e continuidade da conservação
O trabalho dele mostra que a conservação não depende apenas de recursos, mas de atenção, competência e persistência diária. Mitsinjo nasceu de guias locais, com infraestrutura construída na mesma paisagem que protege.
Além de liderar ações práticas, Rakotoarisoa ajudou a consolidar um modelo de conservação enraizado na comunidade, fortalecendo a gestão de recursos naturais na região de Andasibe.
A comunidade científica e ambiental de Madagascar reconhece a importância de ações que associam pesquisa, manejo em cativeiro e participação comunitária para a proteção de espécies endêmicas.
Entre na conversa da comunidade