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República Dominicana retira proteções comerciais e ameaça o futuro das enguias americanas

República Dominicana retira proposta de listar enguias americanas após rejeição de proteções, elevando risco de comércio ilegal bilionário

European eels are critically endangered due to the relentless demand for the aquaculture industry, with declines of more than 90% since 1980. Image by Adrien Groul via iNaturalist.
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  • A República Dominicana retirou a proposta de incluir enguias americanas no Apêndice III da CITES, após a rejeição, em novembro, de regulamentar o comércio internacional de enguias de água doce.
  • As enguias enfrentam declínio drástico e o comércio ilegal é altamente lucrativo, com estimativa de pelo menos três bilhões e quatrocentos milhões de dólares por ano. O preço de enguias-vidro chegou a quinhentos dólares por litro em mil e vinte e quatro antes, e a demanda é elevada para aquicultura.
  • Na votação da CITES, cem países/opiniões se opuseram, trinta e cinco apoiaram e oito abstiveram-se; Japão e outros setores pressionaram contra novas restrições, citando ciência contestada e custos de fiscalização.
  • Conservacionistas temem um cenário de “livre para todos” para o comércio de enguias, aumentando ilegalidades e impedindo a recuperação de populações, com alerta de que o efeito pode aparecer apenas na próxima geração.
  • Com a derrota, pede-se cooperação entre países, especialmente Caribe e norte da América, para gestão conjunta e futuras propostas da União Europeia e de nações com populações de enguias; nova avaliação global está prevista apenas para dois mil e vinte e oito.

A decisão envolvendo a proteção internacional das enguias foi revertida: a República Dominicana retirou a sua proposta de incluir as enguias americanas na CITES, listagem Appendix III. O movimento ocorreu em janeiro de 2026, dois dias antes de entrar em vigor, após ter sido apresentado na reunião de CITES em novembro de 2025. A retirada impede temporariamente acordos de cooperação entre países para monitorar o comércio transnacional dessas espécies.

No debate anterior, a proposta para regulamentar o comércio internacional de enguias de água doce foi rejeitada por 100 votos contrários, 35 favoráveis e 8 abstenções. A oposição veio de diversos países e também da União Europeia, que defendia medidas com permissões de exportação e importação. Delegações destacaram a necessidade de dados científicos atualizados.

A República Dominicana já era vista como ponto estratégico no tráfico ilegal de enguias na região Caribenha. A retirada da proposta surpreendeu defensores da conservação, que argumentavam que o Appendix III ajudaria a monitorar o comércio originário do país, ainda que não impedisse o tráfico ilegal por completo.

A dinâmica do comércio envolve principalmente três espécies: Anguilla anguilla (enguia europeia), Anguilla rostrata (enguia americana) e Anguilla japonica (enguia japonesa). A maior parte da demanda está nos mercados de Ásia Oriental, com forte apelo na culinária japonesa, coreana e chinesa.

Dados de conservação indicam risco elevado. A enguia europeia é classificada como criticamente em perigo, com quedas superiores a 90% desde 1980. As outras duas espécies são consideradas ameaçadas. O declínio é alimentado pela alta demanda para criação em aquicultura, pesca legal e ilegal, e por perdas de habitat.

Fome de elvers e enguias gera valorização financeira significativa. Em 2024, o preço do elver japonês chegou a picos históricos, refletindo a forte demanda. O comércio ilegal é estimado em bilhões de dólares anualmente, com operações que incluem grupos armados em algumas regiões.

Apoio e críticas ao processo mostraram tensões entre países. Delegados japoneses protagonizaram argumentos contrários à proposta, citando dados de população estável e custos de ferramentas de verificação. Países africanos, Índia, China, Canadá e EUA também expressaram posições diversas.

Mesmo com o desfecho no órgão internacional, a tendência de pesca e comércio permanece sensível. A gestão conjunta entre países, especialmente no Caribe e na América do Norte, é apontada como necessária para assegurar manejo compartilhado e reduzir a pressão sobre as enguias.

Próximos passos e perspectivas

Especialistas ressaltam a importância de cooperação regional para monitorar o fluxo do comércio autorizado e do não autorizado. A União Europeia e outros signatários devem buscar estratégias para propostas futuras de proteção, inclusive com participação de países com populações nativas de enguias.

Outro foco é ampliar o uso de ferramentas de detecção, como kits de DNA para identificar espécies na cadeia de suprimentos. O custo dessas tecnologias varia, o que pode influenciar a adoção por países com recursos limitados.

Atrasos e mudanças no andamento de propostas no âmbito da CITES costumam exigir tempo. Delegados indicam que novas iniciativas podem ser apresentadas a partir de 2028, com ênfase em dados científicos atualizados e gestão transfronteiriça.

Enquanto isso, autoridades e organizações de conservação alertam para o risco de um cenário de “livre comércio” que pode acelerar o declínio de populações de enguias. A defesa da proteção exige coordenação entre governos, comunidades pesqueiras e setores da aquicultura.

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