- A República Dominicana retirou a proposta de incluir enguias americanas no Apêndice III da CITES, após a rejeição, em novembro, de regulamentar o comércio internacional de enguias de água doce.
- As enguias enfrentam declínio drástico e o comércio ilegal é altamente lucrativo, com estimativa de pelo menos três bilhões e quatrocentos milhões de dólares por ano. O preço de enguias-vidro chegou a quinhentos dólares por litro em mil e vinte e quatro antes, e a demanda é elevada para aquicultura.
- Na votação da CITES, cem países/opiniões se opuseram, trinta e cinco apoiaram e oito abstiveram-se; Japão e outros setores pressionaram contra novas restrições, citando ciência contestada e custos de fiscalização.
- Conservacionistas temem um cenário de “livre para todos” para o comércio de enguias, aumentando ilegalidades e impedindo a recuperação de populações, com alerta de que o efeito pode aparecer apenas na próxima geração.
- Com a derrota, pede-se cooperação entre países, especialmente Caribe e norte da América, para gestão conjunta e futuras propostas da União Europeia e de nações com populações de enguias; nova avaliação global está prevista apenas para dois mil e vinte e oito.
A decisão envolvendo a proteção internacional das enguias foi revertida: a República Dominicana retirou a sua proposta de incluir as enguias americanas na CITES, listagem Appendix III. O movimento ocorreu em janeiro de 2026, dois dias antes de entrar em vigor, após ter sido apresentado na reunião de CITES em novembro de 2025. A retirada impede temporariamente acordos de cooperação entre países para monitorar o comércio transnacional dessas espécies.
No debate anterior, a proposta para regulamentar o comércio internacional de enguias de água doce foi rejeitada por 100 votos contrários, 35 favoráveis e 8 abstenções. A oposição veio de diversos países e também da União Europeia, que defendia medidas com permissões de exportação e importação. Delegações destacaram a necessidade de dados científicos atualizados.
A República Dominicana já era vista como ponto estratégico no tráfico ilegal de enguias na região Caribenha. A retirada da proposta surpreendeu defensores da conservação, que argumentavam que o Appendix III ajudaria a monitorar o comércio originário do país, ainda que não impedisse o tráfico ilegal por completo.
A dinâmica do comércio envolve principalmente três espécies: Anguilla anguilla (enguia europeia), Anguilla rostrata (enguia americana) e Anguilla japonica (enguia japonesa). A maior parte da demanda está nos mercados de Ásia Oriental, com forte apelo na culinária japonesa, coreana e chinesa.
Dados de conservação indicam risco elevado. A enguia europeia é classificada como criticamente em perigo, com quedas superiores a 90% desde 1980. As outras duas espécies são consideradas ameaçadas. O declínio é alimentado pela alta demanda para criação em aquicultura, pesca legal e ilegal, e por perdas de habitat.
Fome de elvers e enguias gera valorização financeira significativa. Em 2024, o preço do elver japonês chegou a picos históricos, refletindo a forte demanda. O comércio ilegal é estimado em bilhões de dólares anualmente, com operações que incluem grupos armados em algumas regiões.
Apoio e críticas ao processo mostraram tensões entre países. Delegados japoneses protagonizaram argumentos contrários à proposta, citando dados de população estável e custos de ferramentas de verificação. Países africanos, Índia, China, Canadá e EUA também expressaram posições diversas.
Mesmo com o desfecho no órgão internacional, a tendência de pesca e comércio permanece sensível. A gestão conjunta entre países, especialmente no Caribe e na América do Norte, é apontada como necessária para assegurar manejo compartilhado e reduzir a pressão sobre as enguias.
Próximos passos e perspectivas
Especialistas ressaltam a importância de cooperação regional para monitorar o fluxo do comércio autorizado e do não autorizado. A União Europeia e outros signatários devem buscar estratégias para propostas futuras de proteção, inclusive com participação de países com populações nativas de enguias.
Outro foco é ampliar o uso de ferramentas de detecção, como kits de DNA para identificar espécies na cadeia de suprimentos. O custo dessas tecnologias varia, o que pode influenciar a adoção por países com recursos limitados.
Atrasos e mudanças no andamento de propostas no âmbito da CITES costumam exigir tempo. Delegados indicam que novas iniciativas podem ser apresentadas a partir de 2028, com ênfase em dados científicos atualizados e gestão transfronteiriça.
Enquanto isso, autoridades e organizações de conservação alertam para o risco de um cenário de “livre comércio” que pode acelerar o declínio de populações de enguias. A defesa da proteção exige coordenação entre governos, comunidades pesqueiras e setores da aquicultura.
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