- O Canal Funan Techo é um projeto de navegação de cerca de US$ 1,16 milhão a US$ 1,7 bilhão (valor variou em fontes) com 180 quilômetros, ligando o Mekong ao litoral de Kep, no Camboja.
- A obra visa reduzir custos logísticos do país e gerar empregos, mas continua cercada de informações limitadas e de dúvidas entre moradores ribeirinhos.
- Moradores de Kep dizem temer desapropriação, perda de terras e redução de áreas de pesca, com pouca clareza sobre compensação e medidas de reassentamento.
- Há preocupações ambientais sobre assoreamento, poluição, impactos em habitats marinhos (como pradarias de ervas marinhas e recifes) e na vida de espécies locais, com informações oficiais consideradas insuficientes.
- O financiamento envolve a China Road and Bridge Corporation (contemplando cerca de quarenta e nove por cento do projeto, sob um modelo de construção, operação e transferência de décadas), enquanto o andamento permanece em parte obscuro e com progresso de construção ainda considerado baixo.
A construção do Funan Techo Canal, um projeto hidroviário de cerca de 1,16 bilhão de dólares e 180 quilômetros, está prevista para ligar o Mekong ao litoral de Kep, no Camboja. A obra visa reduzir custos logísticos, gerar empregos e impulsionar o desenvolvimento econômico, segundo o governo.
Habitantes das áreas costeiras reconhecem poucos esclarecimentos oficiais sobre o canal, enquanto estimativas oficiais indicam impacto em milhares de pessoas. Em Kep, comunidades pesqueiras temem perder moradias, terras e o acesso às áreas de pesca, já pressionadas pela privatização do litoral.
As autoridades apontam que o canal criará um porto e vias de tráfego marítimo profundo, com o objetivo de reduzir a dependência de rotas via Vietnã. No entanto, moradores relatam ausência de compensação adequada e dúvidas sobre a viabilidade ambiental do projeto.
O financiamento inclui participação de uma empresa estatal chinesa, com cerca de 49% do custo previsto, sob modelo de construção, operação e transferência por 40 a 50 anos. O valor total foi revisado para aproximadamente 1,16 bilhão de dólares.
Desde a aprovação, em 2023, e o marco de inauguração simbólico em 5 de agosto de 2024, poucos dados têm sido repassados à população local. Em novembro de 2025, houve anúncios de dragagem para dezembro, mas não houve confirmação de avanços relevantes até 2026.
Em Kep, relatos de pescadores ilustram apreensão conjugada com a privatização costeira. Ampaeng e outras aldeias costeiras não possuem títulos formais de propriedade suficientes para garantir compensação, elevando o temor de desalojamento sem asseguração de moradias alternativas.
Especialistas consultados pela Mongabay destacam riscos ambientais, como turbidez, sedimentos e impacto em habitats bentônicos, recifes de coral e meadows de pastos marinhos. Tais ecossistemas são vitais para a pesca local e a biodiversidade da região.
O governo afirma que houve consulta pública e que os impactos ambientais são minimizados, postura contestada por moradores e analistas. A distância entre o ponto de encontro do canal com o mar e a área de gestão de pesca marinha de Kep indica possível aumento do tráfego e pressões sobre a vida marinha local.
Diversos pescadores afirmam que, com a intensificação do tráfego de navios, será ainda mais difícil manter a atividade de subsistência. Alguns já sinalizam planos de mudança para outras cidades, caso haja desalojamento ou redução expressiva da pesca.
A ausência de informações oficiais consistentes alimenta incertezas entre as comunidades costeiras. Organizações ambientais e pesquisadores que acompanharam o projeto não responderam a consultas sobre impactos específicos, dificultando a avaliação pública dos riscos.
Para a região de Kep, a expectativa é de que o canal possa, ao mesmo tempo, criar oportunidades logísticas e ampliar pressões sobre habitats sensíveis. A próxima publicação da Mongabay deverá abordar impactos para comunidades interiores e a fauna da região.
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