- Programa de recuperação de seagrass em Merambong Shoal, Península de Malaysia, ocorreu entre 2015 e 2025, após danos causados por um projeto de recadastramento costeiro em 2014.
- Em parcelas com mix de espécies, a sobrevivência dos brotos atingiu até 66%, com Enhalus acoroides pioneira e Halophila ovalis, Halophila major e Halophila spinulosa.
- Ao longo do acompanhamento, nove espécies de seagrass naturalizaram as áreas recuperadas, totalizando 13 de 17 espécies registradas no país.
- A combinação de espécies mostrou melhor desempenho do que plantações com apenas uma espécie, sugerindo benefício de diversificação para resiliência a longo prazo.
- Os pesquisadores ressaltam a importância do conhecimento local sobre biologia, adaptação dos métodos ao ambiente e tratamento das causas originais do declínio, para orientar esforços na região.
Seagrass restoration em Península da Malásia mostra que abordagem com várias espécies aumenta a recuperação. Um programa de dez anos em Merambong Shoal, perto de Johor Bahru, conseguiu altas taxas de sobrevivência mesmo em área fortemente afetada pela urbanização costeira. O estudo, conduzido por pesquisadores da Universiti Putra Malaysia (UPM), reúne dados de 2015 a 2024.
O projeto transplantou 8.591 plântulas de quatro espécies de seagrass, com foco em Enhalus acoroides e três Halophila. As mudas foram espalhadas em 324 parcelas de recuperação, buscando estabilidade inicial com a espécie pioneira de maior porte, seguida pela mistura de espécies menores. Os ganhos ficaram visíveis já nos primeiros anos de monitoramento.
Os resultados apontam sobrevivência de até 66% em parcelas com composição multiespecífica, superior às áreas com apenas uma espécie. Além disso, entre 2015 e 2024, nove espécies se estabeleceram naturalmente nas parcelas, aumentando a diversidade a 13 das 17 espécies de seagrass presentes no país. O estudo indica benefício ecológico e custo relativamente baixo.
Desempenho e implicações
Os pesquisadores destacam que a biologia local das espécies, o modo como se adaptam ao ambiente e as condições físicas da área são cruciais. O mosaic de espécies favorece o estabelecimento e a resiliência da meada, segundo os autores.
Especialistas externos elogiam o enfoque multiespécie como caminho promissor para a região. Técnicas diversas são discutidas em Southeast Asia, mas a diversidade de espécie pode ser chave para resultados duradouros em cenários de desenvolvimento costeiro.
A pesquisa indica que resta saber como ampliar tais abordagens para outras áreas tropicais, ajustando-se aos sinais locais de ambiente, espécies disponíveis e manejo de metas de longo prazo. Regulamentação mais clara sobre coleta de sementes e material vegetativo também é recomendada.
Contexto local da restauração
Seagrass atua junto de manguezais e recifes para filtrar poluentes, ciclar nutrientes e proteger margens. Servem de berçário para peixes e comunidades associadas, contribuindo para sustentar comunidades litorâneas. Apesar da importância, o tema costuma figurar pouco em políticas públicas de conservação.
Estima-se que o país tenha cobertura de seagrass ainda não estimada oficialmente, com áreas ameaçadas por dragagem, expansão portuária e turbidez. Os resultados de Merambong reforçam a ideia de que restaurações bem planejadas podem revitalizar pradarias degradadas por desenvolvimento costeiro.
Estudos regionais sinalizam que não existe fórmula única de recuperação. A combinação de espécies locais, condições ambientais e controle das causas originais do declínio é essencial para o êxito, informou a equipe de pesquisa.
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