- Após a tempestade Chandra, áreas de Dorset testam restauração de rios para reduzir enchentes, com o projeto Wild Woodbury, em Bere Regis, abrangendo 170 hectares no rio Sherford.
- A etapa “zero” da restauração busca limpar a água, armazenar carbono e criar habitats, permitindo que a água siga caminhos antigos pelas áreas agrícolas.
- O gerente do projeto, Rob Farrington, diz que os benefícios aparecem rapidamente, com água mais clara e estradas locais que não voltaram a alagar.
- O projeto contempla cerca de cinquenta hectares de áreas úmidas em um total de 270 hectares, mas admite que nem todos os locais favorecem esse tipo de solução e é preciso ponderar custos e ganhos.
- O professor John Sear alerta que ações isoladas não bastam; é necessário combinar intervenções com engenharia e evitar construir em planícies de inundação para enfrentar mudanças climáticas e reduzir riscos.
O projeto Wild Woodbury, em Dorset, busca reduzir inundações por meio da restauração de rios em mais de 170 hectares. A iniciativa, conhecida como stage-0, prioriza limpar a água, aumentar o armazenamento de carbono e criar habitats naturais ao longo do rio Sherford, com beneficios esperados para áreas mais adiante no seu curso.
A ideia é permitir que a água se espalhe pelo ambiente agrícola, seguindo percursos naturais que reativam antigos trechos de drenagem. Com o retorno dos alagados, áreas úmidas reaparecem e funcionam como reservatórios que desaceleram o fluxo rumo às vias públicas.
Rob Farrington, gestor do projeto, afirma que os benefícios aparecem rapidamente: a água passa a correr mais lentamente pelos cursos d’água menores, reduzindo cheias em estradas locais e promovendo o retorno da biodiversidade. O método também atua como filtro natural de nutrientes.
Segundo Farrington, o acionamento de áreas alagadas ajuda a enfrentar tanto secas quanto enchentes, pois a água se dispersa de forma mais gradual e controlada. Esse comportamento também favorece o armazenamento de carbono no solo alagado.
Atualmente, a área de 270 hectares abriga aproximadamente 50 hectares de áreas úmidas. Ainda assim, o porta-voz admite que esse modelo não é aplicável a todas as regiões, exigindo avaliação de custos e viabilidade em cada local.
Limites e críticas
O professor John Sear alerta que intervenções pontuais não bastam para o desafio climáto-econômico. Ele defende uma estratégia integrada, com combinação de soluções naturais e, quando necessário, engenharia, para tornar os rios mais resilientes às mudanças do clima.
Sear também questiona a construção em áreas de alagamento e a proteção de construções já erguidas, destacando que o planejamento deve priorizar zonas fora das planícies de inundação. Ele enfatiza que as mudanças precisam ser ampliadas para alcançar impactos significativos.
Entre na conversa da comunidade